Wednesday, April 02, 2008

Hoje quero parar na curva salgada de um beijo.
Quero um abraço, quero alguém que goste de mim.
Quero alguém que me telefone todos os dias,
que se preocupe comigo e fique feliz se eu não morrer.
Quero alguém que me recorde para sempre
com um sorriso nos lábios e um cometa nos olhos.

Hoje sinto-me sozinha e apetecia-me um abraço colossal.

Saturday, March 22, 2008

Tua presença modifica minha anatomia. Quando chegas sou toda imensos olhos, pupilas dilatadas, cílios piscantes para não perder nada da tua imagem, que ora é vento norte, ora é um grande labirinto de espelhos. Quando me tocas, esqueço do resto de mim e me reduzo ao pedaço de pele sob as tuas mãos e só existo nas terminações nervosas que captam o teu calor. Quando me beijas, minha boca é o grande ralo para onde escoa todo o meu corpo, para onde migram todos os sentidos ocupados em captar cada pequeno estímulo dos teus lábios, língua, dentes, pele, cheiro, estrelas sugadas pelo buraco negro. Quando me abraças, o universo cabe dentro dos teus braços e me sei enquanto matéria por ti delimitada e apartada do tudo que resta, do pouco que sobra para além de nós mesmos. Mas quando teu corpo se mistura ao meu, quando em mim te afundas, te tornas passagem, ponte e ao mesmo tempo horizonte, quando te fundes ao meu corpo em que já não me sou, mas somos, sou maior, muito maior do que me soube e sou tanto e imensamente grande, como só sei ser misturada à tua anatomia.

*Ticcia

Friday, March 14, 2008



Levo-te o mar e as rendas das canoas. Levo-te o chá de ervas que colore as mãos depois do abraço. Levo-te os ombros na véspera do sol. Levo-te a cabeleira de astros e a lareira de grilos. Levo-te a glória do limo e os degraus dentro da estante. Levo-te um rosto surpreso e o gancho da porta para pôr o casaco. Levo-te um pensamento que não foi sentimento. Levo-te o visco mais duro, o céu inconformado, o verde aposentado. Levo-te meu sotaque de praia, meu dialeto de inverno. Levo-te minhas notícias sem jornal, a ambulância da brisa. Levo-te os insetos em frascos e a boca aberta de espanto. Levo-te o ritmo das cartas sendo embaralhadas. Levo-te meu álbum de fotos e as figurinhas repetidas para trocar. Levo-te a conversa de corredor, a porta observada. Levo-te o filho no colo, a carícia dos ouvidos. Levo-te as frutas do pé e a horta do fim da casa. Levo-te as jóias falsas para as pedras disputarem corrida no piso. Levo-te a caridade ainda não descontada, a insatisfação aumentando. Levo-te minhas pernas altivas, meus seios de lado. Levo-te os milagres que não aconteceram, a garrafa de água. Levo-te a renúncia, as gramíneas em caixotes, a colher do violão. Levo-te o medo da escada em caracol, as tampas de vidro dos perfumes. Levo-te meu nome do meio, a escritura do pessegueiro. Levo-te o cheiro da cidade natal, o estojo de linha e agulha. Levo-te o sótão de meus livros, a letra mais arisca. Levo-te meus problemas incomunicáveis. Levo-te a indulgência infantil ao açúcar. Levo-te o animal de estimação de meus cinco anos e sua desaparição repentina. Levo-te o perdão ao teu pai e à mãe, o pomar das gavetas. Levo-te a manhã depois de ter amado à noite. Levo-te a noite depois de ter odiado à tarde. Levo-te areia fora da ampulheta, o resto de música que fica no copo. Levo-te a minha risada, a loucura, o palavrão. Levo-te alguma senha esquecida, algum pente esquecido na bolsa. Levo-te a covardia do salto, a timidez do sutiã. Levo-te a aparência de quem não chegou a tempo. Levo-te a Bíblia marcada com fita de cabelo. Levo-te os mistérios gozosos. Levo-te a salvo o ainda que não abrimos juntos.


*Fabrício Carpinejar (adaptado)

Sunday, March 09, 2008




Eu não vou te convencer
Do que é certo aqui pra mim
Eu não vou mudar você
Deixa o vento lhe mostrar
Ele sabe sobre mim


Eu não quero mais correr
Vou cuidar do meu jardim
Trago flores pra você
Deixo o tempo lhe mostrar
Nossa historia é mesmo assim

Chora, pois a chuva de agora
Vai molhar as suas rosas
E a tristeza vai ter fim
É hora, acabou a tempestade pra chegar
A claridade do amor

Chora, pois a chuva de agora
Vai molhar as suas rosas
E a tristeza vai ter fim...


*Ana Carolina

Saturday, March 01, 2008


..."Sofrer com tanta angústia
Por coisas tão pequenas
Gastar essa energia
Assim não vale à pena
Quem dera me livrar
Pra sempre de mim mesmo!
E só me reencontrar
Lá no teu doce abismo"...

Sunday, February 24, 2008

Safena



Sabe o que é um coração
amar ao máximo de seu sangue?
Bater até o auge de seu baticum?
Não, você não sabe de jeito nenhum.
Agora chega.
Reforma no meu peito!
Pedreiros, pintores, raspadores de mágoas
aproximem-se!
Rolos, rolas, tinta, tijolo
comecem a obra!
Por favor, mestre de Horas
Tempo, meu fiel carpinteiro
comece você primeiro passando verniz nos móveis
e vamos tudo de novo do novo começo.
Iansã, Oxum, Afrodite, Vênus e Nossa Senhora
apertem os cintos
Adeus ao sinto muito do meu jeito
Pitos ventres pernas
aticem as velas
que lá vou de novo na solteirice
exposta ao mar da mulatice
à honra das novas uniões
Vassouras, rodos, águas, flanelas e cercas
Protejam as beiras
lustrem as superfícies
aspirem os tapetes
Vai começar o banquete
de amar de novo
Gatos, heróis, artistas, príncipes e foliões
Façam todos suas inscrições.
Sim. Vestirei vermelho carmim escarlate
O homem que hoje me amar
Encontrará outro lá dentro.
Pois que o mate.


*Elisa Lucinda

Saturday, February 23, 2008






- Ya te vas?
- Si, te cobijo?
- No, dejame sentir
todo el frio
que vas a dejar
.

Tuesday, February 19, 2008


Perdi-me de ti, sublimei os sonhos, endeusei o vazio, invoquei felicidade efémera, os movimentos lúcidos, os laivos da memória errante.
Descortinei entre nuvens opacas os contornos de uma vida idealizada, os destroços de um sonho sem rumo, a morte anunciada da Paixão.


*Margarida Fernandes Neves

Saturday, February 16, 2008




Cada pedaço de mim grita,
cada pedaço de mim clama...

Cada pedaço de mim sente
o toque, o gosto, o cheiro...
sente que te quer
e querer-te por inteiro...

Cada pedaço de mim anseia
a tua pele, o teu sorriso,
o teu abraço, o teu suor
o teu desejo, o teu riso...

Cada pedaço de mim pede que me tomes,
envolvas nos braços à luz da lua
e aí, no silêncio da noite,
me faças tua...


*Katrina


Friday, February 15, 2008


Não basta borrifar outros cheiros nos lençóis,
Estás entre os livros, nas musicas, em meu suor,
Será necessário rasgar a carne, chegar aos ossos,
Pois teus sorrisos ecoam, nesse quarto,
Tuas mãos ainda estão entre meus cabelos,
Teu corpo ainda queima o meu,
sobre esta cama, vazia ou não,
E nas vezes em que driblo a insônia,
Irremediavelmente és tu, que espero encontrar


*Cris

Saturday, February 09, 2008


Desde sempre temi tua aderência permanente à minha pele. Temi encontrar para sempre em meus espelhos traços borrados dos sorrisos nascidos para os teus olhos, do corpo esculpido por tuas mãos. Desde sempre temi tua marca indelével em minha vida, eternamente amiudando quem quer que fosse, conjurando fracassos e esmorecimentos daquilo que pretendia sobrepor à tua ausência. Desde sempre temi a mancha do teu gosto em meu destino, o sal da tua língua encrustrado no sabor de todos os dias, emprestando fel a tudo de ti alheio. Hoje meu temor fenece e dispo minhas asas aleijadas, visto teus arreios invisíveis e aceito a sina de casar com as memórias do que fomos.

*Patricia Antoniete

Saturday, January 26, 2008


Eu confesso




"Eu confesso sim
que já não vivo sem você
que te quero feito um tolo
como quem encontra ouro
como um cego que volta a ver

E se você não vem me tirar dessa aflição
não existe um consolo
que estanque o meu choro
um remédio pra solidão

É sempre assim
você comigo do início ao fim
não há nunca se esquecer que sim
você comigo do início ao fim
não há nunca se esquecer
que eu amo você"

Wednesday, January 23, 2008

Um dia
eu dividi
Meus sonhos
Minha vida
Meu dia a dia

Um dia
eu achei
Que não era mais eu mesma
Que me sufocava
Que não vivia

Um dia
eu quis
Não mais dividir
Não mais ser eu

E um dia
em apenas um dia

Eu descobri:

Que não dividia
mas somava

Que não era mais eu
pois me tornara outra,
mais completa e guerreira
mais amiga e companheira


E por vezes quando me sinto sufocada eu paro e penso:
Que quando se divide muitas vezes se soma.
Que a grama do vizinho pode ser mais verde, porém pode ser indigesta...
Que o real valor muitas vezes só é dado tarde demais...
Que se tudo fosse perfeito talvez eu nunca escrevesse...

*Simone

Monday, January 21, 2008




Negue seu amor, o seu carinho
Diga que você já me esqueceu
Pise machucando com jeitinho
Este coração que ainda é seu

Diga que meu pranto é covardia
Mas não se esqueça
Que você foi meu um dia

Diga que já não me quer
Negue que me pertenceu
Que eu mostro a boca molhada
Ainda marcada pelo beijo seu


*Adelino Moreira/Enzo de Almeida Passos

Friday, January 18, 2008


"Não leve a mal

se eu fico um pouco zonza

Luzes de neon

acendem quando você passa"


* Danni Carlos