Sunday, November 20, 2011


A vida chega em silêncio: desenovela reflexos, interroga a esfinge que responde ou nega num espelho baço. (A resposta nunca é clara nem é pequena.) Não é a mim que vejo: é ao outro, num misto de incerteza e esperança de que não seja mais um rosto virado, uma boca cerrada - mais um desgosto a cada passo. Desejo,sonho e medo, o amor é salto sem rede entre a razão e a magia. (E só assim vale a pena.)

*Lya Luft

Thursday, August 18, 2011

Nosso soar


Eu amo se me deitas e de súbito beijas
Os mais íntimos segredos meus;
Quando cola nos meus lábios os teus
E recebes meus gemidos sufocantes
E os bebe garganta a fundo
Como o mais puro dos pecados
(....)
Eu amo nossos corpos entrelaçados,
Nossos movimentos ritmados
Na medida que finda nossa respiração
Selvagens, doces, mistos, alados
(....)
Eu amo dormir e acordar ao teu lado
Por cima de ti, meu território sagrado,
Onde posso esmorecer ou libertar-me
Esperando o abrir claro de teus olhos
(...)
Eu amo quando fazemos amor
Mesmo quando o fazemos calados
No silêncio que só nossa entrega conhece
Onde o que precisa ser dito acontece
No soar do teu corpo e do meu.



* Cáh Morandi

Monday, July 04, 2011

Lembrete

  



Não deixe portas entreabertas
Escancare-as
Ou bata-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas
Passam apenas semiventos,
Meias verdades
E muita insensatez.




*Flora Figueiredo





Thursday, April 21, 2011




"Então a suspeita bruta: não suportamos aquilo ou aqueles

que poderiam nos tornar mais felizes e menos sós (...)

Não, não suportamos essa doçura(...)

Doeria mais tarde, quem sabe, de maneira insensata

e ilusória como doem as perdas para sempre perdidas,

e portanto irremediáveis,

transformadas em memórias iguais pequenos paraísos-perdidos.

Que talvez, pensava agora, nem tivessem sido tão paradisíacos assim (...)”



*Caio Fernando de Abreu


Tuesday, April 19, 2011


Retire meu fôlego e cinto.

Em silêncio me sinta.

Enrosque os dedos nos meus cachos,

Se arrisque em meus despenhadeiros

E desvende os segredos mais íntimos.



Envolva teus pêlos nos meus sentidos,

Me ofereça o teu paladar

Ameno.

Passeia tua língua pelo meu lábio,

Pequeno
 
 
*Taís Morais

Saturday, January 15, 2011



Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já

Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem data
Chega mais cedo amor
Eu finjo que não esperava

Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já



*Adriana Calcanhoto

Sunday, January 09, 2011





"Um sorriso que embaraça as horas e eu penso como é possível amar tanto. Amar sem início, poça d’água, corais e vento, amor que não cabe no tempo, que inventa os dias e atravessa noites dentro do peito em rumor e memória. Ensina meus olhos a cantar cada regresso teu e é de prata que se cobre a cama onde nos deitamos, onde de mim fazes pássaro, torrente, alga, amplitude e pões um sol a arder em minha carne, teu nome em meus lábios, a secreta indecência mais bonita das jóias que achamos um no outro."


*Ticcia