Saturday, November 04, 2017














Não há mais nada para acontecer
Nada que não seja previsto
Nada que possa surpreender
Não espanta flores nascendo nas calçadas
Não apavora estrelas novas sendo penduradas
Nem o corpo vencendo a física
Nem o cego lendo mímica
Nem a ciência na sua vã experiência e sua cara de 
reticências nas coisas que o amor pode fazer...
O mais impossível era esse encontro
Entre tantos desencontros,
Entre tudo que não tinha nada a ver,
Só tinha que ser você para ser inesperado 
E agora que venha o que vier 
Porque de resto nada além,
Agora o que vem já é esperado

*Cáh Morandi

Friday, July 14, 2017












(…)You're out on the streets looking good
And baby deep down in your heart
I guess you know that it ain't right
Never, never, never, never, never
never hear me when I cry at night
Babe, and I cry all the time!
But each time I tell myself that I
well I can't stand the pain
But when you hold me in your arms
I'll sing it once again

I'll say come on, come on, come on, come on and take it!
Take it!
Take another little piece of my heart now, baby
Oh, oh, break it!
Break another little bit of my heart now, darling, yeah
Oh, oh, have a!
Have another little piece of my heart now, baby
You know you got it, child, if it makes you feel good

I need you to come on, come on, come on
come on and take it! (...)


*Janis Joplin

-

Tuesday, November 15, 2016


Só por hoje vou rasgar os códigos. Desacato as regras, os preços módicos. Só por hoje desacredito das retas, descarrilho do trilho, desvio das setas. Preciso de tempo pra sonhar, respirar fundo e carregar na mão o sal da vida e o mel do mundo. Se o compromisso tocar a campainha, peço que aguarde na casa vizinha, mansamente, sem fazer alarde. Mas comunico a todos pela imprensa que sumiu a lucidez. Pediu licença. É só por hoje, mas agora é minha vez.


*Flora Figueiredo



Tuesday, December 29, 2015



Meu bem
Guarde uma frase pra mim dentro da sua canção
Esconda um beijo pra mim sob as dobras do blusão
Eu quero um gole de cerveja no seu copo, no seu colo e nesse bar

Meu bem
O meu lugar é onde você quer que ele seja
Não quero o que a cabeça pensa
Eu quero o que a alma deseja
Arco-íris, anjo rebelde
Eu quero corpo tenho pressa de viver

Mas quando você me amar, me abrace e beije bem devagar
Que é pra eu ter tempo, tempo de me apaixonar
Tempo pra ouvir o rádio no carro
Tempo para a turma do outro bairro ver e saber que eu te amo

Meu bem
O mundo inteiro está naquela estrada ali em frente
Tome um refrigerante depois do meu beijo quente
Sim, já é outra viagem
E o meu coração selvagem tem essa pressa de viver

Meu bem

Mas quando a vida nos violentar
Pediremos ao bom Deus que nos ajude
Falaremos para a vida "vida pisa devagar
Meu coração, cuidado, é frágil
Meu coração é como um vidro
Como um beijo de novela"

Meu bem
Talvez você possa compreender a minha solidão
O meu som, a minha fúria e essa pressa de viver
Esse jeito de deixar sempre de lado uma certeza
E arriscar tudo de novo com paixão
Andar caminho errado pela simples
Alegria de ser

Vem viver comigo
Vem correr perigo
Vem morrer comigo

Meu bem (...)

Talvez eu morra jovem em alguma curva do caminho
Algum punhal de amor traído completará o meu destino
Vem

Vem viver comigo
Vem correr perigo
Vem morrer comigo
Meu bem (...)


*Belchior

Sunday, July 19, 2015




" Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo."

*Hermann Hesse


Thursday, August 14, 2014




Que a vida encontre descanso em meio ao caos, que o vento forte sopre perfume de flores distantes, que o sol ilumine o rosto apagado, que a memória traga sempre lembranças boas, que os pés andem descalços e possam sentir a pureza da terra, que o barulho da alma seja embalo para um novo sorriso;

nossas almas são luzes que brilham a procura de movimentos leves, nossos sonhos são a parte mais sensata dos dias, a busca recorrente daquilo que de tão distraídos, quase esquecemos.

Quem compreende sorrisos, compreende a saudade, a alegria, o amor, quem toca em lágrimas, sabe o significado das nuvens, que de tão leve, torna se a expressão da condição celestial e faz dela algo real.

Voar não vai representar nada, se de longe não for possível sentir o que o mar expressa, o caminhar será sempre perdido, se daqui não puder tocar o infinito horizonte, tudo aquilo que o coração da gente necessita se encontra na bondade de um simples olhar, alguém que ofereça uma compaixão avassaladora por tudo que tocamos e sentimos.

*Ana Beltrão

Monday, March 24, 2014







“(…) And again I believe that we don’t really lose anything that is important. We only deceive ourselves, thinking that we own things, the instants, the others. Along with me go all the dead people I loved, every friend that step away, every happy days meanwhile gone. I didn't lose anything, only the illusion that everything could be mine forever.”


*Miguel Sousa Tavares ("roubartilhado" da minha Sis!)


Saturday, August 10, 2013





Espero alguém que ponha bilhetinhos dentro daqueles livros que vou ler até o fim.
Espero alguém que se arrependa rápido de suas grosserias e me perdoe sem querer.
Espero alguém que me avise que estou repetindo a roupa na semana.
Espero alguém que nunca abandone a conversa quando não sei mais falar.
Espero alguém que, nos jantares entre os amigos, dispute comigo para contar primeiro como nos conhecemos.
Espero alguém que goste de dirigir para nos revezarmos em longas viagens.
Espero alguém disposto a conferir se a porta está fechada e o café desligado, se meu rosto está aborrecido ou esperançoso.
Espero alguém que prove que amar não é contrato, que o amor não termina com nossos erros.
Espero alguém que não se irrite com a minha ansiedade.
Espero alguém que possa criar toda uma linguagem cifrada para que ninguém nos recrimine.
Espero alguém que arrume ingressos de teatro de repente, que me sequestre ao cinema, que cheire meu corpo suado como se ainda fosse perfume.
Espero alguém que não largue as mãos dadas nem para coçar o rosto.
Espero alguém que me olhe demoradamente quando estou distraído, que me telefone para narrar como foi seu dia.
Espero alguém que procure um espaço acolchoado em meu peito.
Espero alguém que minta que cozinha e só diga a verdade depois que comi.
Espero alguém que leia uma notícia, veja que haverá um show de minha banda predileta, e corra para me adiantar por e-mail.
Espero alguém que ame meus filhos como se estivesse reencontrando minha infância e adolescência fora de mim.
Espero alguém que fique me chamando para dormir, que fique me chamando para despertar, que não precise me chamar para amar.
Espero alguém com uma vocação pela metade, uma frustração antiga, um desejo de ser algo que não se cumpriu, uma melancolia discreta, para nunca ser prepotente.
Espero alguém que tenha uma risada tão bonita que terei sempre vontade de ser engraçado.
Espero alguém que comente sua dor com respeito e ouça minha dor com interesse.
Espero alguém que prepare minha festa de aniversário em segredo e crie conspiração dos amigos para me ajudar.
Espero alguém que pinte o muro onde passo, que não se perturbe com o que as pessoas pensam a nosso respeito.
Espero alguém que vire cínico no desespero e doce na tristeza.
Espero alguém que curta o domingo em casa, acordar tarde e andar de chinelos, e que me pergunte o tempo antes de olhar para as janelas.
Espero alguém que me ensine a me amar porque a separação apenas vem me ensinando a me destruir.
Espero alguém que tenha pressa de mim, eternidade de mim, que chegue logo, que apareça hoje, que largue o casaco no sofá e não seja educado a ponto de estendê-lo no cabide.
Espero encontrar um homem que me torne novamente necessária.


 

*Do livro "Espero Alguém" (Bertrand Brasil, 2013) * adaptado




Sunday, June 09, 2013


Simplesmente aconteceu
Não tem mais você e eu
No jardim dos sonhos
No primeiro raio de luar
Simplesmente amanheceu
Tudo volta a ser só eu

Nos espelhos
Nas paredes de qualquer lugar
Não tem segredo
Não tenha medo de querer voltar
A culpa é minha eu tenho vício de me machucar

De me machucar


Lentamente aconteceu
Seu olhar largou do meu
Sem destino

Sem caminho certo pra voltar
Não tem segredo
Não tenha medo de querer voltar
A culpa é minha eu tenho vício de me machucar

De me machucar
(...)
 
*Ana Carolina


-

Tuesday, February 26, 2013

Vou sentir falta...



...de quando nós duas éramos apenas uma;

...de ser elogiada todo dia;
...de sentir minha barriga mexer;
...de ganhar comida de presente;
...de tomar dois sorvetes sem culpa;
...de chamar a atenção de todos com meu barrigão;
...de ser bajulada o tempo todo;
...de escutar meu som favorito: a batida do teu coraçãozinho;
...de esperar ansiosa pelas ultras e ecografias;
...de ser chamada de barriguda e ficar feliz;
...de ler mil artigos sobre o mesmo assunto: a gravidez;
...de ficar curiosa imaginando como será seu rostinho e com quem será parecida;
...de desdobrar suas roupinhas e guardar todas de novo;
...de fazer xixi a cada hora, inclusive de madrugada;
...de me sentir cansada, com dor nas costas e nas costelas;
...de me pesar e ficar feliz com cada quilinho a mais;
 

Vou ter muitas saudades do meu barrigão, mas essa falta será compensada...pois você, minha estrelinha, vai estar aqui comigo...toda hora, todo dia

 

Sunday, December 02, 2012





O mundo em silêncio e, em algum lugar, tua carne ainda ocupa o centro de mim, teu nome se reveza entre meus olhos e minha boca, sem que eu saiba que forma ele finalmente terá. Tem garras, o teu nome. Tem também um sumo que arde quando escala a garganta e me põe essa dor paralisante nas mãos. O pior em cada coisa é não saber se ensurdeceste à minha voz, o pior em tudo é pressentir que estás desertando de mim e que tudo seca, tudo murcha e se despetala em ausência. Sou o retrato bruto da dor, aqui posta de braços abertos à espera dos teus olhos. Sou eu mesma a dor refundada, delicadamente urdida sobre uma frágil tecitura de memória, imóvel e dócil, como só a tristeza pode compor ao corpo. Espero ínfima, mansa e imolada inseta na teia pela tua fome, ou teu abandono.


*Patrícia Antoniette



Sunday, October 14, 2012






Dispo-me da poeira dos caminhos que me trouxeram até aqui. Folhas caídas, saudades largadas num canto e beijos de borboleta são as memórias que trago da viagem insone.
As janelas, dexo-as abertas para que entrem o sol e o vento e as flores com que me presenteia a árvore vizinha.
(...)
Eles, como eu, não sabem o que dizer. Passeiam vagos entre nuvens num céu de aurora e adeus.
Eu teimo em ficar.
Por isso sigo. 


*Daise Ribeiro

Thursday, June 14, 2012






(...)

Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo
Prefiro acreditar no mundo do meu jeito
E você estava esperando voar
Mas como chegar até as nuvens
Com os pés no chão...

O que sinto muitas vezes faz sentido e outras vezes
Não descubro um motivo que me explique
porque é
que não consigo ver sentido no que sinto,
que procuro
o que desejo e o que faz parte
Do meu mundo...

O arco-íris tem sete cores
E fui juiz supremo
Vai, vem embora, volta
Todos têm, todos têm
Suas próprias razões...

Qual foi a semente que você plantou?
Tudo acontece ao mesmo tempo
Nem eu mesmo sei direito
O que está acontecendo
E daí, de hoje em diante
Todo dia vai ser
O dia mais importante...

(...)

Não digo nada
Espero o vendaval passar
Por enquanto eu não sei
O que você me falou
Me fez rir e pensar
Porque estou tão preocupado
Por estar tão preocupado assim...

Mesmo se eu cantasse todas as canções
Todas as canções do mundo
Sou bicho do mato...

Mas se você quiser alguém
Prá ser só seu
É só não se esquecer
Eu estarei aqui...

Ou então não terás jamais
A chave do meu coração...


*Legião Urbana




Thursday, May 17, 2012

Clave de Sol



Faz música pra mim e coloca em envelopes fechados por língua morna. Faz versos nas costas da lua. Dedilha nossos desafinos. Na areia da praia anoitecida, deita minha ausência e colhe os ruídos. Oferece na concha das mãos. Segredos. Canta baixinho e grita desespero para abafar o silêncio das pausas. Desatina mariposa, asas de procura nos meus olhos acesos. Desenha em ponta de agulha sobre a pele e assina o nome por baixo. Criptografia. Espera. Até ouvir meu riso com gosto de maçã a provocar cócegas na saudade. Ele faz música e promessas bordadas em gaze. Eu sangro.

 

*Ane Aguirre




Monday, March 26, 2012



"...e tudo se torna tão simples
tão facil de sentir
de falar, de ver,
simplesmente, porque te amo."




Érica do Vale




Thursday, March 08, 2012

Aviso da lua que menstrua



Moço, cuidado com ela!
Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...
Imagine uma cachoeira às avessas:
cada ato que faz, o corpo confessa.
Cuidado, moço
às vezes parece erva, parece hera
cuidado com essa gente que gera
essa gente que se metamorfoseia
metade legível, metade sereia.
Barriga cresce, explode humanidades
e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar
mas é outro lugar, aí é que está:
cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..
Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente
que vai cair no mesmo planeta panela.
Cuidado com cada letra que manda pra ela!
Tá acostumada a viver por dentro,
transforma fato em elemento
a tudo refoga, ferve, frita
ainda sangra tudo no próximo mês.
Cuidado moço, quando cê pensa que escapou
é que chegou a sua vez!
Porque sou muito sua amiga
é que tô falando na "vera"
conheço cada uma, além de ser uma delas.
Você que saiu da fresta dela
delicada força quando voltar a ela.
Não vá sem ser convidado
ou sem os devidos cortejos..
Às vezes pela ponte de um beijo
já se alcança a "cidade secreta"
a Atlântida perdida.
Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.
Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas
cai na condição de ser displicente
diante da própria serpente
Ela é uma cobra de avental
Não despreze a meditação doméstica
É da poeira do cotidiano
que a mulher extrai filosofando
cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso
julgando a arte do almoço: Eca!...
Você que não sabe onde está sua cueca?
Ah, meu cão desejado
tão preocupado em rosnar, ladrar e latir
então esquece de morder devagar
esquece de saber curtir, dividir.
E aí quando quer agredir
chama de vaca e galinha.
São duas dignas vizinhas do mundo daqui!
O que você tem pra falar de vaca?
O que você tem eu vou dizer e não se queixe:
VACA é sua mãe. De leite.
Vaca e galinha...
ora, não ofende. Enaltece, elogia:
comparando rainha com rainha
óvulo, ovo e leite
pensando que está agredindo
que tá falando palavrão imundo.
Tá, não, homem.
Tá citando o princípio do mundo!

*Elisa Lucinda

Friday, February 10, 2012




Foi quando tu chegaste que descobri meu solo e minha pátria, que deixei o exílio e dei um nome à terra de que sou feita. Porque tu tens uns olhos que se perderam no mar e voltaram depois das tempestades com a dor de quem mais uma vez pôde ser salvo. Porque teus braços me resgataram, neles desfiz minhas fronteiras e me tornei contigo um mesmo horizonte que junta infinitos de céu e água. Porque tua voz me conta coisas outras enquanto falas e tu sabes o que eu ouço e não temes que eu saiba sobre todos os teus medos. Porque tu dizes meu nome de olhos fechados, afundado em minha carne e a noite toda lateja dentro de mim e o ruído do mundo cessa para que eu possa me lembrar só da tua voz dizendo o meu nome longe de todas as coisas. Porque tuas mãos falam a língua da minha pele e enfeitam meus cabelos de pequenas conchas e musgos para que eu encontre os sentidos que eu supunha naufragados para sempre. Porque eu já não poderia me entregar a mais ninguém sem voltar a ser estrangeira em mim mesma, sem ser de novo uma estranha atrás de meus próprios olhos, sem desertar para sempre do meu corpo.

*Ticcia

Sunday, November 20, 2011


A vida chega em silêncio: desenovela reflexos, interroga a esfinge que responde ou nega num espelho baço. (A resposta nunca é clara nem é pequena.) Não é a mim que vejo: é ao outro, num misto de incerteza e esperança de que não seja mais um rosto virado, uma boca cerrada - mais um desgosto a cada passo. Desejo,sonho e medo, o amor é salto sem rede entre a razão e a magia. (E só assim vale a pena.)

*Lya Luft

Thursday, August 18, 2011

Nosso soar


Eu amo se me deitas e de súbito beijas
Os mais íntimos segredos meus;
Quando cola nos meus lábios os teus
E recebes meus gemidos sufocantes
E os bebe garganta a fundo
Como o mais puro dos pecados
(....)
Eu amo nossos corpos entrelaçados,
Nossos movimentos ritmados
Na medida que finda nossa respiração
Selvagens, doces, mistos, alados
(....)
Eu amo dormir e acordar ao teu lado
Por cima de ti, meu território sagrado,
Onde posso esmorecer ou libertar-me
Esperando o abrir claro de teus olhos
(...)
Eu amo quando fazemos amor
Mesmo quando o fazemos calados
No silêncio que só nossa entrega conhece
Onde o que precisa ser dito acontece
No soar do teu corpo e do meu.



* Cáh Morandi

Monday, July 04, 2011

Lembrete

  



Não deixe portas entreabertas
Escancare-as
Ou bata-as de vez.
Pelos vãos, brechas e fendas
Passam apenas semiventos,
Meias verdades
E muita insensatez.




*Flora Figueiredo





Thursday, April 21, 2011




"Então a suspeita bruta: não suportamos aquilo ou aqueles

que poderiam nos tornar mais felizes e menos sós (...)

Não, não suportamos essa doçura(...)

Doeria mais tarde, quem sabe, de maneira insensata

e ilusória como doem as perdas para sempre perdidas,

e portanto irremediáveis,

transformadas em memórias iguais pequenos paraísos-perdidos.

Que talvez, pensava agora, nem tivessem sido tão paradisíacos assim (...)”



*Caio Fernando de Abreu


Tuesday, April 19, 2011


Retire meu fôlego e cinto.

Em silêncio me sinta.

Enrosque os dedos nos meus cachos,

Se arrisque em meus despenhadeiros

E desvende os segredos mais íntimos.



Envolva teus pêlos nos meus sentidos,

Me ofereça o teu paladar

Ameno.

Passeia tua língua pelo meu lábio,

Pequeno
 
 
*Taís Morais

Saturday, January 15, 2011



Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já

Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem data
Chega mais cedo amor
Eu finjo que não esperava

Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já



*Adriana Calcanhoto

Sunday, January 09, 2011





"Um sorriso que embaraça as horas e eu penso como é possível amar tanto. Amar sem início, poça d’água, corais e vento, amor que não cabe no tempo, que inventa os dias e atravessa noites dentro do peito em rumor e memória. Ensina meus olhos a cantar cada regresso teu e é de prata que se cobre a cama onde nos deitamos, onde de mim fazes pássaro, torrente, alga, amplitude e pões um sol a arder em minha carne, teu nome em meus lábios, a secreta indecência mais bonita das jóias que achamos um no outro."


*Ticcia

Thursday, December 09, 2010

CONFIDÊNCIA




Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com suavidade
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça



Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno



Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci

Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
Porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos



No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome



*Mia Couto

Sunday, May 02, 2010



Faço-me no sentir e busco sentido a tudo o que não compreendi. Não foi por falta de atenção, talvez um cansaço leve, talvez uma pouca disposição que hoje me cobra.
De pedras e barro construí uma morada que já se fez forte, já se fez fraca, mas resiste - ao tempo e a mim.
Carrego umas lembranças e água para a viagem, que parece longa - assim espero seja,
mas o que levo de mais precioso
são as memórias de uma mão cheia de carinho.


*Daise Ribeiro

Tuesday, April 13, 2010

"Querer sem saber, e ter sem poder, a injunção de um sofrer, que transborda das mãos de quem procura o seu reflexo, na superfície de um qualquer lago, e não se vê, porque se sabe encontrado numa outra alma, onde a ternura perdura pelo infinito da eternidade, e a doçura escorre por entre os dedos. Livre-arbítrio ou imposição de forças que não se vêem, sentem-se, para lá da pele, dos sentidos e das sensações, que a atração sobrenatural não proíbe, magias e feitiços de um mago, alquimista ou feiticeiro, derramados e transformados em doce Amor, e imediatamente em amarga saudade. Antagonismos e venturas de uma vida, perdida na procura de uma felicidade momentânea, um instante, um ensejo errante, uma viagem aos primórdios do tempo, num relâmpago surdo por memórias a apagar, numa futurologia nula, sem pernas para andar, porque desde o início, fez parte do passado."



*Do blog Outra parte de mim

Saturday, April 10, 2010



Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitetura fria do estaleiro

onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste, que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume de cera,
lento e brando, que já não derrama calor.

Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o frio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos.

Dizem-me os seus passos que vale a pena esperar,
porque as ondas acabam sempre por quebrar-se junto das margens.
Mas eu sei que o meu mar está cercado de litorais,
que é tarde para quase tudo.
Por isso, vou para casa e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.



*Maria do Rosário Pedreira

Friday, February 19, 2010

 

"Escancarado é o teu sorriso
Que traz um coração ao fundo.

Contagia sonhos e corpos,
Morde lábios, lambe mundos...

Principalmente o meu."
 
*Chris Herrmann

Tuesday, January 05, 2010




Eu não juro nada
por coisa alguma,
pois que todo caminho é incerteza.
A ordem se desarruma,
a história se desajeita,
o arranjo troca de lado e vira a mesa.
Tampouco prometo.
Nesse jogo de regras e tratos,
rolam os dados,
mudam os fatos,
num ciclone célere, inclemente.
Só o que posso é me entregar completamente
a toda causa que me dedicar,
a cada tempo que eu puder viver,
a cada amor que me fizer amar.

*Flora Figueiredo