Friday, February 10, 2012




Foi quando tu chegaste que descobri meu solo e minha pátria, que deixei o exílio e dei um nome à terra de que sou feita. Porque tu tens uns olhos que se perderam no mar e voltaram depois das tempestades com a dor de quem mais uma vez pôde ser salvo. Porque teus braços me resgataram, neles desfiz minhas fronteiras e me tornei contigo um mesmo horizonte que junta infinitos de céu e água. Porque tua voz me conta coisas outras enquanto falas e tu sabes o que eu ouço e não temes que eu saiba sobre todos os teus medos. Porque tu dizes meu nome de olhos fechados, afundado em minha carne e a noite toda lateja dentro de mim e o ruído do mundo cessa para que eu possa me lembrar só da tua voz dizendo o meu nome longe de todas as coisas. Porque tuas mãos falam a língua da minha pele e enfeitam meus cabelos de pequenas conchas e musgos para que eu encontre os sentidos que eu supunha naufragados para sempre. Porque eu já não poderia me entregar a mais ninguém sem voltar a ser estrangeira em mim mesma, sem ser de novo uma estranha atrás de meus próprios olhos, sem desertar para sempre do meu corpo.

*Ticcia