"Passeando pela vida ao lado da tranqüilidade. Espalhando sorrisos como grãos de areia. Sentindo a calmaria do mar na Alma. Derramando saudade, esperando por palavras doces. No meio de olhares despidos, olhares despretensiosos. Construindo sonhos em meio a promessas silenciosas. Amanhecendo, entardecendo e anoitecendo simplesmente. Fechar os olhos e ter aos pés margaridas e pertencer a um sentimento que permanece em um outro tempo que começa aqui agora."
Thursday, August 18, 2011
Nosso soar
Eu amo se me deitas e de súbito beijas
Os mais íntimos segredos meus;
Quando cola nos meus lábios os teus
E recebes meus gemidos sufocantes
E os bebe garganta a fundo
Como o mais puro dos pecados
(....)
Eu amo nossos corpos entrelaçados,
Nossos movimentos ritmados
Na medida que finda nossa respiração
Selvagens, doces, mistos, alados
(....)
Eu amo dormir e acordar ao teu lado
Por cima de ti, meu território sagrado,
Onde posso esmorecer ou libertar-me
Esperando o abrir claro de teus olhos
(...)
Eu amo quando fazemos amor
Mesmo quando o fazemos calados
No silêncio que só nossa entrega conhece
Onde o que precisa ser dito acontece
No soar do teu corpo e do meu.
* Cáh Morandi
Monday, July 04, 2011
Thursday, April 21, 2011
"Então a suspeita bruta: não suportamos aquilo ou aqueles
que poderiam nos tornar mais felizes e menos sós (...)
Não, não suportamos essa doçura(...)
Doeria mais tarde, quem sabe, de maneira insensata
e ilusória como doem as perdas para sempre perdidas,
e portanto irremediáveis,
transformadas em memórias iguais pequenos paraísos-perdidos.
Que talvez, pensava agora, nem tivessem sido tão paradisíacos assim (...)”
*Caio Fernando de Abreu
Tuesday, April 19, 2011
Saturday, January 15, 2011

Eu gosto do claro quando é claro que você me ama
Eu gosto do escuro no escuro com você na cama
Eu gosto do não se você diz não viver sem mim
Eu gosto de tudo, tudo que traz você aqui
Eu gosto do nada, nada que te leve para longe
Eu amo a demora sempre que o nosso beijo é longo
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby, com você já, já
Mande um buquê de rosas, rosa ou salmão
Versos e beijos e o seu nome no cartão
Me leve café na cama amanhã
Eu finjo que não esperava
Gosto de fazer amor fora de hora
Lugares proibidos com você na estrada
Adoro surpresas sem data
Chega mais cedo amor
Eu finjo que não esperava
Eu gosto da falta quando falta mais juízo em nós
E de telefone, se do outro lado é a sua voz
Adoro a pressa quando sinto
Sua pressa em vir me amar
Venero a saudade quando ela está pra terminar
Baby com você chegando já
*Adriana Calcanhoto
Sunday, January 09, 2011
"Um sorriso que embaraça as horas e eu penso como é possível amar tanto. Amar sem início, poça d’água, corais e vento, amor que não cabe no tempo, que inventa os dias e atravessa noites dentro do peito em rumor e memória. Ensina meus olhos a cantar cada regresso teu e é de prata que se cobre a cama onde nos deitamos, onde de mim fazes pássaro, torrente, alga, amplitude e pões um sol a arder em minha carne, teu nome em meus lábios, a secreta indecência mais bonita das jóias que achamos um no outro."
*Ticcia
Thursday, December 09, 2010
CONFIDÊNCIA
para que o escuro apeteça
Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno
Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci
Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
Porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos
No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome
*Mia Couto
Diz o meu nome
pronuncia-ocomo se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com suavidadepara que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteçaPorque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno
Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci
Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
Porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos
No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome
*Mia Couto
Sunday, May 02, 2010
Faço-me no sentir e busco sentido a tudo o que não compreendi. Não foi por falta de atenção, talvez um cansaço leve, talvez uma pouca disposição que hoje me cobra.
De pedras e barro construí uma morada que já se fez forte, já se fez fraca, mas resiste - ao tempo e a mim.
Carrego umas lembranças e água para a viagem, que parece longa - assim espero seja,
mas o que levo de mais precioso
são as memórias de uma mão cheia de carinho.
*Daise Ribeiro
Tuesday, April 13, 2010
"Querer sem saber, e ter sem poder, a injunção de um sofrer, que transborda das mãos de quem procura o seu reflexo, na superfície de um qualquer lago, e não se vê, porque se sabe encontrado numa outra alma, onde a ternura perdura pelo infinito da eternidade, e a doçura escorre por entre os dedos. Livre-arbítrio ou imposição de forças que não se vêem, sentem-se, para lá da pele, dos sentidos e das sensações, que a atração sobrenatural não proíbe, magias e feitiços de um mago, alquimista ou feiticeiro, derramados e transformados em doce Amor, e imediatamente em amarga saudade. Antagonismos e venturas de uma vida, perdida na procura de uma felicidade momentânea, um instante, um ensejo errante, uma viagem aos primórdios do tempo, num relâmpago surdo por memórias a apagar, numa futurologia nula, sem pernas para andar, porque desde o início, fez parte do passado." *Do blog Outra parte de mim
Saturday, April 10, 2010

Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste o tempo de iludires a arquitetura fria do estaleiro
onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste, se partiste, que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume de cera,
lento e brando, que já não derrama calor.
Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o frio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos.
Dizem-me os seus passos que vale a pena esperar,
porque as ondas acabam sempre por quebrar-se junto das margens.
Mas eu sei que o meu mar está cercado de litorais,
que é tarde para quase tudo.
Por isso, vou para casa e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.
*Maria do Rosário Pedreira
Friday, February 19, 2010
Tuesday, January 05, 2010

Eu não juro nada
por coisa alguma,
pois que todo caminho é incerteza.
A ordem se desarruma,
a história se desajeita,
o arranjo troca de lado e vira a mesa.
Tampouco prometo.
Nesse jogo de regras e tratos,
rolam os dados,
mudam os fatos,
num ciclone célere, inclemente.
Só o que posso é me entregar completamente
a toda causa que me dedicar,
a cada tempo que eu puder viver,
a cada amor que me fizer amar.
*Flora Figueiredo
Tuesday, December 29, 2009

- Vou-me embora hoje.
Ele olhou-a demoradamente, como quem não quer perder nada.
- Não te despedes de mim?
Ele continou a olhá-la, sem dizer palavra. O que dizer quando o coração nega a partida?
- Vou levar-te comigo na alma.
Ele então chorou. E quis partir com ela, escondido no fundo dos seus brincos ou nas palmas das suas mãos.
- Adoro quando brincas com os meus dedos. Parece que queimam, que me inflamo ao teu toque.
E ele brincou mais uma vez. Como se fosse a última. E era mesmo.
Ele olhou-a demoradamente, como quem não quer perder nada.
- Não te despedes de mim?
Ele continou a olhá-la, sem dizer palavra. O que dizer quando o coração nega a partida?
- Vou levar-te comigo na alma.
Ele então chorou. E quis partir com ela, escondido no fundo dos seus brincos ou nas palmas das suas mãos.
- Adoro quando brincas com os meus dedos. Parece que queimam, que me inflamo ao teu toque.
E ele brincou mais uma vez. Como se fosse a última. E era mesmo.
*Autoria desconhecida









