Saturday, January 26, 2008


Eu confesso




"Eu confesso sim
que já não vivo sem você
que te quero feito um tolo
como quem encontra ouro
como um cego que volta a ver

E se você não vem me tirar dessa aflição
não existe um consolo
que estanque o meu choro
um remédio pra solidão

É sempre assim
você comigo do início ao fim
não há nunca se esquecer que sim
você comigo do início ao fim
não há nunca se esquecer
que eu amo você"

Wednesday, January 23, 2008

Um dia
eu dividi
Meus sonhos
Minha vida
Meu dia a dia

Um dia
eu achei
Que não era mais eu mesma
Que me sufocava
Que não vivia

Um dia
eu quis
Não mais dividir
Não mais ser eu

E um dia
em apenas um dia

Eu descobri:

Que não dividia
mas somava

Que não era mais eu
pois me tornara outra,
mais completa e guerreira
mais amiga e companheira


E por vezes quando me sinto sufocada eu paro e penso:
Que quando se divide muitas vezes se soma.
Que a grama do vizinho pode ser mais verde, porém pode ser indigesta...
Que o real valor muitas vezes só é dado tarde demais...
Que se tudo fosse perfeito talvez eu nunca escrevesse...

*Simone

Monday, January 21, 2008




Negue seu amor, o seu carinho
Diga que você já me esqueceu
Pise machucando com jeitinho
Este coração que ainda é seu

Diga que meu pranto é covardia
Mas não se esqueça
Que você foi meu um dia

Diga que já não me quer
Negue que me pertenceu
Que eu mostro a boca molhada
Ainda marcada pelo beijo seu


*Adelino Moreira/Enzo de Almeida Passos

Friday, January 18, 2008


"Não leve a mal

se eu fico um pouco zonza

Luzes de neon

acendem quando você passa"


* Danni Carlos

Wednesday, January 16, 2008

ESPERANDO VOCÊ







"Amanheci louca
Quente, fervente...
Te quero, te sinto, te cheiro
Serei menina prazenteira a brincar com seus pêlos
Mulher febril, te sentindo brincar no meu íntimo

Vem! Corre comigo!
Sou sua menina, seu vento, seu sol
Vem! Dança comigo
Sou pura energia pulsando no lençol

Quando sinto seu cheiro chegar
Minha fantasia, minha intimidade
Pulsa, arde, ferve...
Amanha serei sua
Seu ventre, seu gozo, sua mulher."

Tuesday, January 15, 2008



Dentro desta mulher
um anjo menino
brinca de ciranda na calçada
e tem fome de futuro.
Dentro desta mulher
uma criança se debruça na janela
vendo chegar o amor
e se julga imortal.

Dentro desta mulher
uma guerreira constrói sua vida
depois de parir filhos para o mundo.
Dentro desta mulher
outra mulher enterra o seu amor perdido
e mesmo assim espera.

(Dentro desta mulher
o mistério das coisas
finge dormir.)

*Lya Luft

Sunday, January 06, 2008



Às vezes a solidão
É bem melhor que se aventurar
O que se faz sem amor nem paixão
Só pode machucar

Se envolver de corpo, sem alma
Naquele momento satisfazer
Os desejos que não brotam do coração
E então se arrepender
Porque depois que a transa rolar
Vem o vazio e me faz lembrar
Que o que eu fiz quando era
Amor eu era mais feliz
E assim não sei onde vou parar
Meu sentimento pode congelar
Até que pinte um grande amor
Que possa me mudar

Tô querendo novamente me encontrar
Tô querendo novamente me apaixonar
Sem amor eu sei
Que nunca vou poder chegar a lugar nenhum
A verdade é que eu não quero viver de ilusão
Eu preciso, eu quero vida, nova emoção
Sentimento e tempestade faz o sol brilhar
Entender o que é amar
.

*Reges Danase/Luiz Cláudio

Thursday, December 27, 2007

Jurei mentiras e sigo sozinha, assumo os pecados
Os ventos do norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido



Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos,
Meu sangue latino, minha alma cativa

Rompi tratados, traí os ritos
Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo
E o que me importa é não estar vencida.

Sunday, December 23, 2007


Ah, se entendessem o que sinto
Veriam que ainda sou uma criança
Que quero colo e mimos

Deixar por um dia que seja
A responsabilidade de mulher
E ser, tão somente ser, menina...

Menina mimada
Menina atirada
Menina levada
Menina de dia
Mulher só de noite...


*Simone


Bendito és tu
entre os homens rasos e trôpegos,
entre os homens vazios e tristes,
e bendito é o fruto dos teus olhos,
a beleza que em mim não conhecia eco e que agora grita.
Bendito teu nome mil vezes em minha língua, em meu ventre,
entre minhas pernas e escrito em minha cara, bendito tu,
meus arreios,
vento que me lança contra o rochedo,
asas que me elevam além dos cirros.
Bendito,
eternamente bendito sejas,
toda vez que amaldiçôo o dia da minha entrega, da minha consagração,
porque bendita sou eu entre tuas mãos.

Sunday, December 16, 2007

Resposta ao Tempo



Batidas na porta da frente,
É o tempo.
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento.
Mas fico sem jeito, calado.
Ele ri,
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar, e eu não sei.

Num dia azul de verão, sinto o vento.
Há folhas no meu coração,
É o tempo.
Recordo o amor que perdi,
Ele ri.
Diz que somos iguais,
Se eu notei,
Pois não sabe ficar
E eu também não sei.

E gira em volta de mim,
Sussurra que apaga os caminhos,
Que amores terminam no escuro, sozinhos. ..

Respondo que ele aprisiona, eu liberto.
Que ele adormece as paixões, eu desperto.
E o tempo se rói com inveja de mim,
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Pra tentar reviver.

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer.
Eu posso, ele não vai poder, me esquecer.

*Cristovao Bastos/Aldir Blanc

Tuesday, December 04, 2007


Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim
E, se tiveres renda
Aceito uma prenda
Qualquer coisa assim
Como uma pedra falsa
Um sonho de valsa
Ou um corte de cetim

E eu te farei as vontades
Direi meias verdades
Sempre à meia luz
E te farei, vaidoso, supor
Que és o maior e que me possuis

Mas na manhã seguinte
Não conta até vinte
Te afasta de mim
Pois já não vales nada
És página virada
Descartada do meu folhetim


*Chico Buarque

Sunday, December 02, 2007

Escrevo-te...


Hoje quero ser escritora sobre o papel do teu corpo.

Vou te gravar na pele, em palavras, aquilo que de dentro me trazes

Para que, por absorção, regresse ao teu ser e jamais se perca

E este ciclo se mantenha eterno.

A caneta é esta boca que repete à exaustão o que me fazes sentir

E a tinta, indelével, é o amor que sinto por ti.

À medida que escrevo vou-te cobrindo de pétalas vermelhas

que esvoaçam ao encostar das nossas bocas,

ao juntar dos nossos alentos em uníssono...


*Maria

Wednesday, November 28, 2007

Parte do tempo eu procuro esquecer
Prefiro acreditar que é assim mesmo e vou levando
Finjo que não percebo a falta, a ausência...
Mas a vida, por vezes, se impõe me mostra sua realidade nua e crua
com seus tons marcados como navalha cortando na carne
Neste instante é impossível negar, fingir, abstrair...
Este amor que me é negado com violência, veemência, crueldade, indiferença...
Transborda incessante em meus poros
Transparece em meus olhos
Como sinal indelével de algo que me pertence
e no entanto me é alienado.
Tirar de alguém o direito divino de amar e ser amado
é como condenar a alma a uma morte em vida
Ao vagar alheio do olhar de quem quer que seja
Alheio a piedade, a caridade, a benevolência...
Tudo isso me tem sido negado....
E mesmo tentado o tempo todo esquecer e suplantar tal fardo
Ainda assim esse amor em meu peito acorrentado
Se faz doce, presente e sincero...
Não sei se sobreviverá ao próximo átimo de consciência
Ao negar algoz de sua existência
A sua não correspondência
E ao infértil ímpeto de se propagar.

*Mila Mandrag

Sunday, November 25, 2007

Meu ofício é o das infimidades, das insignificâncias, dos resquícios, do que mais cedo ou mais tarde ficará impresso em página nenhuma, desbotará ao sol de um dia esquecido e secará à mingua. Meu ofício é o da inapreensão, da volatilidade e da inconcretude, do que nunca terá raízes, do que nunca saberá do ventre, do que nunca cumprirá um laço e num dia de vento será elevado aos ares, rodopiará sobre as árvores, subirá além dos fios de alta tensão e desaparecerá por detrás de um edifício cinzento. Meu ofício é o da impermanência, do que não se sustenta sobre o próprio peso, do que não vale preço algum, do que se perde no exílio de si mesmo, do que é descartável, prescindível, etéreo.

*Ticcia