Saturday, January 28, 2006


Som de Mulher

Os olhos são o espelho da alma.
E se isso, verdade é,
deixe-os serem a janela,
e veja por um instante
minha alma de mulher.

Vê a borboleta
que em doces volteios
acaricia suave, seus cabelos?

São meus dedos.

Feche os olhos e sinta.
Ao som suave da brisa,
minhas carícias que
vão lhe envolvendo.

Sinta o toque na pele,
que traçando seu rosto
vai descendo mansinho
em direção ao seu peito.

São meus beijos.

Sente o roçar pela cintura,
como asas de libélula voejando?
É minha língua.
Vou adentrando.

Das vestes, já liberto,
sinta o tempo de agosto
que vai molhando seu corpo.

Estou provando seu gosto.

Segure de leve, pressionando,
minhas ancas
transformadas em rédeas,
enquanto vou cavalgando.

Fica assim...
Parado a sentir
o veludo úmido lhe envolvendo.

Você está dentro de mim.

Rápido...
Vem comigo!
Vamos chegar ao fim...

Agora abra lentamente seus olhos.
Sinta a vida transformada
em seiva que de seu corpo flui.

Não me procure.
Como a tarde dessa primavera

Eu já fui...

*Asta Vonzodas


Friday, January 27, 2006













Apenas um beijo

pra que se possa lembrar, acreditar
que essa história não foi assim tão pequena
pra que se possa guardar todo o gozo do gosto
o calor do teu rosto
a força de cada olhar
Esse sentir imenso enche o ar feito incenso
forte presença
esta é minha sentença: te desejei
em cada gota de suor do teu rosto
cada gesto.
Vi nos teus olhos o que queria ser
senti no teu corpo o que queria ter
desejei teu desejo
me perdi no teu passo e pensei
me encontrar em cada abraço


Este teu sorrir me fascinava.
Me sentia feito menina, diante de um presente.
O dia se fazia claro. Qualquer dia.
A noite se enchia de estrelas.Todas elas.
As horas passavam rasteiras. Sem pressa.
Transformava simples palavras em rimas
Tão pobres. Tão tolas. Tão sinceras.
Fizestes do tempo um brinquedo de cordas
e acordavas o sono dos tolos
com acordes vibrantes
com as notas dissonantes de seu gargalhar.
Soava feito um trinado
meio semi-tonado.
Era cantiga, acalento,
Canção de ninar.

Tranqüilo e terno
o que mais me atraia em ti era teu riso,
artéria onde pulsava teu sangue
onde batia em compasso a hora que por ti passava
e nem se notava
a noite que não chegava
e já se ia
a fumaça que antes nublava meu caminho
e o sol que fizestes brilhar em meus olhos por ti.
Hei de lembrar para sempre
todos os teus castelos
teus cantos e recantos
todos os teus encantos que aprendemos a aprender.

Plenitude
O amor que se fez
me fez mulher novamente
corpo e alma.
Sopro de vida em meus ouvidos
rasgo de luz em meu ventre
prazer perpetuando-me as entranhas,
manhas.
Manhãs enluarando-se.
Despejar de vida
sorvida em gotas - puro gozo
gosto de amor feito sem pressa
pétalas de orvalho,
gotas de margarida,
raios de estrela,
noite de sóis amanhecidos.
Braços, bocas, línguas.
Entumecidas.
Arpejos harmoniosos
movimentos sincopados
desejos sincronizados.
Luxúria? Pecado?
Paixão.
Pés, pelos, cabelos.
Pernas trançadas
corpos selados, suados, cansados.
Plenos.

Hoje lembranças apenas.

*Dayse

Wednesday, January 25, 2006


"Esperar dói.
Esquecer dói.
Mas não saber que decisão tomar
é o pior dos sofrimentos."

*Paulo Coelho

E esta longa e interminável espera pela sua (in)decisão vem me corroendo a alma...



Monday, January 23, 2006
























De todas as maneiras que há de amar
Nós já nos amamos
Com todas as palavras feitas pra sangrar
Já nos cortamos

Agora já passa da hora, tá lindo lá fora
Larga a minha mão, solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado
Quando entra o verão

De todas as maneiras que há de amar
Já nos machucamos
Com todas as palavras feitas pra humilhar
Nos afagamos

Agora já passa da hora, tá lindo lá fora
Larga a minha mão, solta as unhas do meu coração
Que ele está apressado
E desanda a bater desvairado

*Chico Buarque


























Eu não posso mais ficar aqui a esperar
que um dia, de repente, você volte para mim
Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim
estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim
Meu olhar se perde na poeira dessa estrada triste
onde a tristeza e a saudade de você ainda existem
Esse sol que queima no meu rosto um resto de esperança
de ao menos ver de perto o seu olhar que eu trago na lembrança

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo

Vem a chuva, molha o meu rosto e então eu choro tanto
minhas lágrimas e os pingos dessa chuva
se confundem com o meu pranto
Olho pra mim mesmo, me procuro e não encontro nada
sou um pobre resto de esperança à beira de uma estrada

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo

Carros, caminhões, poeira, estrada, tudo, tudo
se confunde em minha frente
minha sombra me acompanha
e vê que eu estou morrendo lentamente
Só você não vê que eu não posso mais ficar aqui sozinho
esperando a vida inteira por você, sentado à beira do caminho

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo

*Erasmo Carlos

Sunday, January 22, 2006






















Tua vontade...
de estar dentro de mim...
num momento somente para perder-se assim

O calor invadindo nós dois...
antes, durante e depois

Vontade de sentir o gosto...
do teu corpo no meu...
da tua língua a me conhecer...
sempre, até o amanhecer

Desejo de fazer loucuras...
minhas mãos nuas a te procurar...
minha boca quente sempre a te sugar

De nada mais ouvir...
a não ser nossos gemidos de prazer...
na mais louca vontade de querer

Sinto tua vontade sim...
de fazer amor num pedido...
de ficar em mim escondido

Enquanto entre línguas...
bocas... suores... tremores...
descobertas... eu aberta...
recebendo este gozo latente...
guardado ficará na mente...
para que momentos mais tarde...
você deseje novamente...
iniciar tudo outra vez...
descobrindo coisas que somente a gente fez

*Lu@



DIGA

diga logo de uma vez
o que você quer de mim
não me torture mais
não me faça mais sofrer
insistindo em me dizer
que pensa em mim demais
quando você fica só
e precisa ouvir a voz
de quem te ama
não suporta a solidão
pega o telefone e então
me chama
e quando eu digo "alô"
fala de amor,
às vezes chora
e mexe com o meu coração
me faz pensar que ainda me ama
e alimenta essa ilusão
que acaba nas semanas que você me esquece
e quando eu penso que esqueci
o telefone entra rasgando a madrugada a enlouquecer
o coração dispara e a mesma história vejo acontecer
e, atordoada, eu digo "alô"
e é você.
diga logo de uma vez
o que você quer de mim...

*Roberto Carlos

Saturday, January 21, 2006



S
ORVETE

derrete,
me escorre na língua.
Mas antes,
te quero duro,
te chupar primeiro,
apoiar na base a língua
te envolvendo
em círculos
de baixo ao começo,
inteiro
provar teu sabor,
envolver-te quente,
derrete... escorre...
me lambuza os lábios
e chupo, enxugo
com língua gulosa
enquanto se desfaz
tua rija forma
no calor da minha.

*Asta Vonzodas

E FALANDO EM FAZER AMOR...



"Fazer amor...

Fazer amor requer arte inconsciente
fazer amor transcende o feio e o bonito
fazer amor requer a alma despida
fazer amor transcende a sexualidade
Fazer amor é ignorar todos os conceitos formais da humanidade
e se entregar como quem se doa a si mesmo
fazer amor não tem vínculo algum
com o lado físico dos seres
fazer amor é divindade.
divindade que advém do mais nobre dom da vida :

a própria vida.

Fazer amor é enlouquecer a anatomia.
não importa a forma.
o que importa é não importar com coisa nenhuma.

Fazer amor é fazer de inconcebíveis palavrões um lindo poema.
fazer amor é fazer do corpo um banquete de sonhos
e fazer da alma o berço do prazer"

*desconheço o autor

Friday, January 20, 2006

De que tamanho é este amor??

...que suporta tudo, que deixa ficar mesmo sofrendo...
De que tamanho é este amor, que te vê indo embora sempre
e ainda assim espera sua constante volta.

De que tamanho seria um amor assim...que não cobra,
que acolhe, que não domina e ainda se culpa,
que sente-se triste com a sua tristeza,
que se desespera no seu silêncio, que se alegra com seu riso.

Quem poderia medir um amor assim,
que comete loucuras para não perder
que se desculpa por amar tanto,
que finge não se importar, só para não magoar.

Um amor que busca você em todas as palavras,
em todos os poemas, em tudo o que vê..
Um amor que vai muito além de simples toque, que sente a alma,
que sente a temperatura do coração, que te conhece por inteiro.

Um amor que só se acalma estando junto,
que espera ansiosamente a sua voz,
o seu olhar, a sua alegria, e não conseguindo:
se mata, se escurece, mas não diminui,
apenas cresce a cada dia mais...

De que tamanho é este meu amor?
Quem poderia medir um amor assim?


*Alexandre Räikkönen


**PS: Olha que essa poesia quase que não sai..rs... Obrigada Bocão!


Thursday, January 19, 2006



Se você quiser eu vou te dar um amor
Desses de cinema
Não vai te faltar carinho,
Plano ou assunto ao longo do dia

Se você quiser eu largo tudo
E vou pro mundo com você, meu bem
Nessa nossa estrada
Só terá belas praias e cachoeiras

Aonde o vento é brisa
Onde não haja quem possa
Com a nossa felicidade
Vamos brindar a vida meu bem
Aonde o vento é brisa
E o céu claro de estrelas
O que a gente precisa
É tomar um banho de chuva.


Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, aaaaaaai
Ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai, aaaaaaai

*Vanessa da Mata










Morango



Roça nos lábios
tua polpa macia
Beijo vermelho
Liberta meu desejo

Vem...
e me sacia...

Morango
(ou qualquer que seja o teu nome)
carne saborosa
paladar vigoroso
quero aplacar minha fome
deleitar-me
do teu sabor prazeiroso
Marca teu gosto
rola na boca
enrosca na língua
remodela tua forma
em busca da minha
O doce dessa carne viva
o licor que a boca suga
Deixa que a avidez enxuga
o coquetel da fruta e da saliva
Mas antes que eu descubra
o prazer delicioso
na tua cor rubra
o néctar do gozo
escapa da mordida
de dentes famintos
excede tua pele sensível
explode quase inesperadamente
murcha suave e lentamente
fluindo com lascívia
deixando com malícia
o sumo que pelo queixo escorre...

*Rejane (Mel) Britto Ravizzoni

in "Morango" - Fresa

A seu favor

Deu pra comparar prazer,
e eu entrei nem sei porque
Peguei carona na ilusão
sequei de tanta servidão
Ah como eu tentei,
mudar dizer que não,
quis andar
Mas o chão se abriu,
Traçando o seu perfil
Foi cedendo ao seu favor
Me dei, e o sonho se quebrou
busquei, e a gente se entregou
Ah como eu pequei,
cacei a própria dor, quis gritar
Mas a voz surgiu na forma de estrela cadente
Calei seu gemido profano indecente,
rasguei teu disfarce de amor
Doeu, você sentiu, mas não sangrou
doeu, você sentiu, mas não sangrou

*Jorge Aragão

Wednesday, January 18, 2006

















Me faça uma pergunta
Que eu nunca ouvi
Que eu te dou uma resposta
Que eu não sei

Sonhei com você
Mas não vi seu rosto
Acordei com o gosto
Do que eu não provei

É só mais um dia de sol
E ninguém quer saber
Se eu tenho alguma queixa
Em todo lugar existe alguém
Querendo o que não tem
Toda hora alguém perde a cabeça
Esqueça

Me diga alguma coisa
Que eu possa amar
E guarde os espinhos
Com você

A vida pede provas
Que quem ama dá
E só meias palavras
Não vão resolver

É só mais um dia sem sal
E ninguém quer saber
Se eu tenho alguma queixa
Em todo lugar existe alguém
Sofrendo por alguém
E esse alguém também já perdeu a cabeça
Esqueça
E apareça

*Marina Lima



"Nessa hora de desassossego

meu amor te procura e

tropeça no espaço perdido da vida...

Meu verso agoniza em busca de você

e te persigo através dessas linhas,

imaginando-te em meus braços

te dando o meu beijo quente,

dizendo tudo que a gente não diz

quando sente..."


*Sônia Palone