Wednesday, November 25, 2009




Chegaste
com tua tesoura de jardineiro
e começaste a cortar:
uma folhas aqui e ali
uns ramos...

Eu estava desprevenida
quando arrancaste a raiz.



*Ivette Centeno

Monday, November 16, 2009




Encontrei um verso fraturado,

caído na esquina da rua do lado,

Tinha se perdido de um coração saudoso

que passava por ali, desiludido.

Coloquei-o de pé,
emendei seus pedaços,
refiz suas linhas,
retoquei seus traços.
Afaguei suas dores como se fossem minhas.

Agora, novamente estruturado,
espero que ele não olhe para trás

e não misture sonhos
com amargas falências do passado;
que saiba enfeitar a estrela lá na frente

com fartos laços de rima colorida.
... pois é para o futuro que caminham
todos os passos apressados desta vida.




*Flora Figueiredo

Tuesday, November 03, 2009


Invocação ao amor

Pedir-te a sensação
a água
o travo

aquele odor antigo
de uma parede
branca

Pedir-te da vertigem
a certeza
que tens nos olhos quando
me desejas

Pedir-te
sobre a mão
a boca inchada
um rasto de saliva
na garganta

pedir-te que me dispas
e me deites
de borco e os meus seios
na tua cara

Pedir-te que me olhes e me aceites
me percorras
me invadas
me pressintas

Pedir-te que me peças
que te queira
no separar das horas
sobre a língua

Meu ciúme
meu perfil
minha fome

meu sossego
minha paz
minha aventura

Meu sabor
minha avidez
saciedade

minha noite
minha angústia
meu costume


*Maria Teresa Horta

Saturday, October 17, 2009


Memories, pressed between the pages of my mind
Memories, sweetened thru the ages just like wine
Quiet thought come floating down
And settle softly to the ground
Like golden autumn leaves around my feet
I touched them and they burst apart with sweet memories,
Sweet memories
Of holding hands and red bouquets
And twilight trimmed in purple haze
And laughing eyes and simple ways
And quiet nights and gentle days with you
Memories, pressed between the pages of my mind
Memories, sweetened thru the ages just like wine,
Memories, memories, sweet memories


*
Samarony, você estará sempre nas nossas memórias e em nossos corações.

Thursday, October 08, 2009

"Eu vou te contar porque você não me conhece. E eu tenho que gritar isso, porque você está surdo e não me ouve. A sedução me escraviza a você, ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não à mim. E quanto mais falo sobre uma verdade inteira, um abismo maior nos separa. Você não tem um nome, eu tenho, você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções. Mas a mentira da aparência do que eu sou é a mentira da aparência do que você é. Porque eu, eu não sou o meu nome e você não é ninguém. O jogo é perigoso que eu pratico aqui. Ele busca chegar ao limite possível de aproximação. Através da aceitação da distância e do reconhecimento dela. Entre mim e você existe a notícia, eu me dispo da notícia e a minha nudez parada te denuncia e espelha. Eu me relato, tu me delatas, eu vos acuso e confesso por nós.
Só assim me livro das palavras com as quais você me veste."

Sunday, September 27, 2009

SUBIDA



Quando o dia acorda atravessado, escalo uma montanha.

É meu próprio caminho em direção ao sol.

Mochila nas costas, carrego o principal não levo nem perguntas, nem respostas.

Ponho um ramo de sonhos que vou plantando pelo caminho, a flauta encantada pra seduzir passarinho, a estrela companheira que brilha o tempo inteiro e mantém a trilha iluminada;
um frasco de água benta, uma reza certeira; um arco-íris à prova de vento, um peito aberto à prova de nada.

Devagarinho, sem pressionar o tempo, chego ao meu destino.

Respiro fundo, abro os braços, canto um hino de sagração ao mundo - e agradeço - por ter descoberto de repente por onde se começa um recomeço.


*Flora Figueiredo

Wednesday, September 23, 2009

Naufraguei entre dois fôlegos

de um tempo

em que respirar-te era um bálsamo.




São instantes, as felicidades virgens.

São saudades, são queixumes,

são escolhas lançadas de um barco

que não alcançam o vento nem o sal da minha fé.



*cferreirapedro (Os ácaros do meu armário)

Tuesday, September 22, 2009

Voltas em volta dos contratos de Amor




Nos contratos que tu lavras
não vi, Amor, valimento.
Só palavras e palavras
feitas de sonho e de vento.

Primeira volta: lavrar.
Lavra o amor algum contrato?
Lavra, sim, mas como ato
de grassar, de incendiar.
Lavrar? Melhor - celebrar.
Se há bona fide e paixão
no ato da celebração,
há muito mais que palavras
nos contratos que tu lavras,
há um sol na solidão.

Volta dois: da validade.
O amor, o amar vale a pena
se a pessoa não é pequena.
Seu prazo é a sua verdade:
um dia? a eternidade?
Seja intenso, seja infindo
enquanto dure, indo e vindo.
Diz o mote em desalento:
- não vi, Amor, valimento,
mas eu vi e vale e é lindo.
Terceira volta: o objeto
desses contratos de Amor
há de ser somente o amor
seja ele aberto ou secreto.
Mas que seja o Amor, completo
em sua frágil plenitude.
Ah, Amor, que só amor mude
os contratos que apalavras.
Só palavras e palavras
amor não é, amiúde.

Que esta quarta volta abrace
a palavra. Que a não leve
o vento. Que a verdade a eleve
em seu altar e que a enlace.
O amor fica ainda que passe,
ainda que passe o vento.
Feitas de sonho e de vento?
Palavras do Amor, risonho:
que se são feitas de sonho,
não, não são feitas de vento.



*Pedro Galvão

Tuesday, September 15, 2009

"Entonces seré tuya...


... llenando mi cuerpo con tus

deseos...

Abandónate conmigo...

...y no busques nada más..."


Thursday, August 27, 2009


“Todo amor tem seu instante inaugural, seu big bang particular, que é, por definição, um começo perdido, do qual os amantes, por mais perspicazes que sejam, nunca são contemporâneos. Não há amante que não seja, na verdade, o herdeiro tardio de um instante de amor que nunca verá, capturado que ficou, e para sempre, no breu da sua aparição. Só que agora, com o discernimento frenético dos que já se sabem condenados, (…) podia voltar atrás e procurar esse sinal original, tentar identificá-lo ou dar-se ao luxo, mesmo, de escolhê-lo. Podia, por exemplo, demorar-se um instante numa imagem (…), mas depois a descartava, decepcionado, para deixar-se enfeitiçar por outra (…), até que descartava o álbum inteiro e caía de joelhos diante de um som, um único som (…)”


*Alan Pauls

Saturday, August 22, 2009


"O senhor sabia - Diadorim: que bastava ele me olhar com os olhos verdes tão em sonhos, e, por mesmo de minha vergonha, escondido de mim mesmo eu gostava do cheiro dele, do existir dele, do morno que a mão dele passava para a minha mão".


*Grande Sertão: Veredas - João Guimarães Rosa

Sunday, August 16, 2009


Pensa em mim, em tudo aquilo que ainda sou eu
use a coragem não só pra dizer adeus.

Pensa em mim, em tudo aquilo que ainda sou eu

mentiras, sonhos e perdões que a vida me deu.

Com você me sentia sozinha, com você não sabia
esperar.
Em todos procurava o futuro que nenhum poderia me
dar.

Mas todo amor que dentro de mim pode haver,
rouba a sede,
ilumina
me usa
só pra você.



*Ana Carolina

Saturday, August 08, 2009



Al perderte yo a ti,
tú y yo hemos perdido:

yo, porque tú eras
lo que yo más amaba,

y tú, porque yo era
el que te amaba más.

Pero de nosotros dos,
tú pierdes más que yo:

porque yo podré
amar a otras
como te amaba a ti,

pero a ti nadie te amará
como te amaba yo.



*Ernesto Cardenal , Epigrama mandado por minha Sis...que me ama...e que eu amo tanto... Tks, Sweet Ana!

Saturday, August 01, 2009




Un amor le a devuelto la alegría a mi ser,
por eso yo a ti te quiero, por eso yo te querré.
Te prometo vida mia que nunca te dejare,
haces que siga viviendo y siempre yo te amaré.

Por eso te canto, te digo a la cara que me tienes loco,
que estoy enamorada, que te quiero mucho
y es inexplicable decir con palabras y un amor tan grande.

Si algun dia tu me dejas, y te alejas mas de mi,
dejare toda mi alma solo llena de sufrir.
Eres aire que respiro, eres sueño mi dormir,
tu lo eres todo, lo eres todo para mi.

Son mis sentimientos los que canto aqui, me has enamorado,
yo te quiero a ti. Que dios me maldiga si te hago daño,
si te hago sufrir, si yo a ti te engaño.
Pero te prometo que nunca mi amor habrá una persona
que te ame mas que yo.


Monday, July 20, 2009




Basta um fio de cabelo, um perfume no ar, ou um balançar de pés e pernas. Poucas coisas. Pequenas coisas. Sussurros que destroem civilizações. A cautela daquele que seduz. Um manusear de linhas e sombras. Talvez, minhas próprias linhas, minhas próprias sombras.


* Blog Lucidez Perigosa (by Gap)