Monday, July 13, 2009

Temptation & Seduction


Long ago, we each had a role to play
temptation and seduction
like a movie without a script
we improvised
because we were so young
and the nights lasted that much longer
and we were grateful for every second of darkness outside
outside in perfectly manicured gardens
the cool grass covered in a midnight dew
soaking through jeans and t-shirts
we kicked our shoes off and dashed into lakes
and laughed and breathed and sang and knew
beyond a shadow of a doubt that no one in the world had ever felt the way
we did
no one on this planet knew the secret of love, the feel of wet grass under
bare feet on late summer nights
we watched the moon and she watched us and she promised to keep our secret
bright and full
in beds of flowers bursting with color
our young bodies bare
not yet knowing what it means to be inhibited
skin like petals
soft and fragrant
the trees shuffling their branches in a private dance only we could hear
the music
lips and whispers entangled
so new and yet ancient
tasting like life itself, fresh and true and hungry
we rolled and turned with the earth spinning beneath us
air so sweet,
sweet with jealousy
as we drank our youth
those nights, now so far and always so near
not a single summer passes without a reminiscence
the trees still dance and the moon still glows
and a year of our youth is peeled off
while our hearts grow cooler
darkness no longer holds the same magic

we grow and grow a greater distance between us
though you will always remain with me,
a precious charm recalled on late summer nights
while the scent of flowers in first bloom
still brings your name to my lips

Sunday, July 12, 2009

Texto para uma separação




Olhe aqui, olhos de azeviche
Vamos acertar as contas
porque é no dia de hoje
que cê vai embora daqui...
Mas antes, por obséquio:
Quer me devolver o equilíbrio?
Quer me dizer por que cê sumiu?
Quer me devolver o sono meu doril?
Quer se tocar e botar meu marcapasso pra consertar?
Quer me deixar na minha?
Quer tirar a mão de dentro da minha calcinha?
Quer parar de torcer pro meu fim
dentro do meu próprio estádio?
quer parar de saxdoer no meu próprio rádio?
Vem cá, não vai sair assim...
Antes, quer ter a delicadeza de colar meu espelho?
Assim: agora fica de joelhos
e comece a cuspir todos os meus beijos.
Isso. Agora recolhe!
Engole a farta coreografia destas línguas
Varre com a língua esses anseios
Não haverá mais filho
pulsações e instintos animais.
Hoje eu me suicido ingerindo
sete caixas de anticoncepcionais.
Trata-se de um despejo
Dedetize essa chateação que a gente chamou de desejo.
Pronto: última revista

Leve esta bobagem
que você chamou
de amor à primeira vista.
Olhos de azeviche, vem cá:
Apague esse gosto de pescoço da minha boca!
E leve esses presentes que você me deu:
essa cara de pau, essa textura de verniz.
Tire também esse sentimento de penetração
esse modo com que você me quis
esses ensaios de idas e voltas
essa esfregação
esse bob wilson erotizado
que a gente chamou de tesão
Pronto. Olhos de azeviche, pode partir!
Estou calma. Quero ficar sozinha
eu co’a minha alma. Agora pode ir
Gente! Cadê minha alma que estava aqui?



*Elisa Lucinda

Friday, July 10, 2009



Não adiantou de nada
Pegar a estrada e vir
Pra este lugar
Você apareceu
Na noite passada
Num pouso de emergência
Sem me avisar
Cruzou o meu espaço
Invadiu meu sonho
Levou todos os planos
Pra me conquistar

O que você quer de mim
Me iludir, me acordar
E me deixar ruim
O que você quer de mim
Me iludir, me acordar
E me deixar assim

Como posso ter te perdido
Se você nunca me pertenceu
Como posso ter te esquecido
Se a gente nunca se conheceu
E mesmo assim, pensei em te ligar
Mandar notícias minhas
Mas afinal

O que você quer de mim
Me iludir, me acordar
E me deixar ruim
O que você quer de mim
Me iludir, me acordar
E me deixar assim


*Cileno

Sunday, July 05, 2009



Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida.



*Mia Couto

Thursday, July 02, 2009



A boca calada. A respiração cavando silêncios. As mãos a pesarem tanto que exilei os gestos rentes ao coração. Poiso a cabeça sobre a mão direita e penso: para o encontrar de novo recomeçaria tudo outra vez, andaria todos os caminhos, arriscaria a minha vida. Hora após hora, ele regressa ao meu pensamento, e vem do lugar de todas as ausências, e tem nos braços a mesma curva onde os pássaros iniciam o primeiro vôo. Pedir-lhe-ia, agora, que só uma vez me dissesse: bebe a minha sede.


*Graça Pires

Wednesday, July 01, 2009


Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo doeu-me onde antes os teus dedos foram aves de verão e a tua boca deixou um rasto de canções. No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração que era o resto da vida - como um peixe respira na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos, mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.


*Maria do Rosário Pedreira

Monday, June 22, 2009




"...
Então, que seja doce
.
Repito todas as manhãs,
ao abrir as janelas para deixar entrar
o sol ou o cinza dos dias, bem assim:
que seja doce. Quando há sol,

e esse sol bate na minha cara amassada
do sono ou da insônia, contemplando as
partículas de poeira soltas no ar,
feito um pequeno universo,
repito sete vezes para dar sorte:
que seja doce,
que seja doce ,
que seja doce
e assim por diante."


*
Caio Fernando Abreu


Monday, June 15, 2009



...Se eu demorar uns meses


convém às vezes você sofrer


Mas depois de um ano eu não vindo


ponha roupa de domingo e pode me


esquecer...




*Chico Buarque


Sunday, May 31, 2009

Faz-me falta amar para lá da lucidez.
Sorrir e corar com palavras doces, pintadas à mão.
Sentir a tua ausência como o sacrifício que valia a pena.
Acontecer-me o amor como à fruta que amadurece no cesto.
Ultrapassar barreiras do toque, dos beijos e da solidão.
Viajar nos teus sonhos e debruçar-me à janela dos meus.
Ouvir a tua voz e entorpecer-me de paixão.
Ter na pele um carinho descontroladamente constante.


Faz-me falta estar à tua espera.


*Carla Ferreira Pedro

Sunday, May 24, 2009


Eu quero o delírio.
Eu sou assim.
Não pretendo a integração, mas a abertura e a busca.
Encontrar pode ser impossível ou desinteressante.
Quero o pressentimento.
Quero comprimir a tecla do computador e explodir o ponto e arquear o contorno, varando os limites que a vida há de preencher e o sonho tornará possível.
Quero o delírio que faça as utopias virem sentar-se na minha varanda e escrever no meu computador quando a razão estiver cansada, quando a técnica parecer frívola, ou quando eu estiver descrente."



*Lya Luft

Thursday, May 21, 2009


Ele diz:


 "Hoje de madrugada, por volta das duas e meia, senti uma vontade louca de você. Fui até ao quarto, abri a gaveta. Lá estava a minha blusa vermelha. Levei-a ao meu rosto e fiquei entorpecido por um envolvente cheiro. Um cheiro inodoro, que somente os animais mais primitivos conseguem sentir. Um cheiro delicioso e lancinante de fêmea no cio".



*Guardo isso comigo. Guardo teu cheiro e teu beijo. Guardo teu sorriso lindo e tuas mãos no meu corpo. Volte logo. Te espero com impaciência e desejo intenso.



Tuesday, May 19, 2009

A tua língua-serpente,
açoita os meus sentidos
e alaga os meus pudores.
Tua grandeza cravada em mim,
faz desabrochar a absurda flor
da minha pele.
Dilatados e indecentes,
os meus poros,
tão impregnados da tua saliva
e do teu tato.




Bebes o prazer e te traduzes
na taça do meu ventre.
Cravas a tua indecente
garra na pequenêz
dos meus segredos em brasa.
Vertentes de vento,
furacões,
cataclismas,
tempestade...
De tão tua,
de tão arrebatada e desmedida,
de tão fluida,
transbordo,
e me reinventas.

*Míriam Monteiro



Monday, May 18, 2009




essa brasa
essa chama
esse lume

esse
fogo
esse forno
essa caldeira

ah, esse
amor
que arde
incendeia

esse corpo
essa fornalha
essa fogueira

essa alma
essa queimada
que se alastra

em labareda
me envolvo
a noite inteira

ah, essa
paixão
me acende
me inflama

me consome e me transforma
em tocha humana


*Vera Maya

Thursday, May 14, 2009


Eu andei
Sorri
Chorei tanto
Não me arrependi
Ganhei e perdi
Fiz como pude
Lutei contra o amor
Quanto mais vencia, me achava um perdedor
Mais tarde me enganei e vi com outros olhos
Quando às vezes não amei a mim
Não por falta de amor
Mas amor demais
Me levando pra alguém
Quem visitou os corredores da minha alma
Soube dos enganos, secretos planos e até os traumas
Eu sempre fui muito só

Eu andei
Sorri
Chorei tanto
Fui quase feliz
Fiz tudo que quis
Fiz como pude
Desprezei meu ego
Dando esmolas a ele
Como se fosse um cego
Mais tarde me enfeitei, até pintei os olhos
Quando às vezes não amei a mim
Não por falta de amor
Mas amor demais
Me escapando pra alguém
Quem visitou os corredores da minha alma
Soube dos meus erros
E dos nós que fiz bem na linha da vida
Eu sempre fui muito só


*Ana Carolina

Sunday, May 10, 2009



Sair descalça pela rua e sentir o calor da terra. Caminhar sem observar os rostos e partir com bilhete só de ida. Adentrar o trem e colocar os braços para fora para abraçar o vento. Viajar sem rumo e parar na estação onde o abraço lhe apertou o passo. Descer em lugar algum e parar em frente à árvore mais acolhedora, mas que lhe parece solitária. Despojar de horas a admirá-la e envolver seu corpo sobre o tronco até sentir que transmuta a energia. Seguir adiante com as pedras que já não lhe incomodam mais os pés. Despir a roupa que lhe aquece, mas empobrece a alma e perceber que não precisa dela. Abandoná-la na estrada árida e notar que as flores brotam das pedras. Sorrir ao ver o sorriso das crianças e dançar pela rua para imortalizar o gesto. Entrar na próxima estação e comprar bilhete para uma nova jornada. Seguir sem rumo e não se importar com o longo caminho, pois as rosas perfumam o destino. Sussurrar na brisa seus instintos e deixar que ela guie seu espírito em desalinho. Confessar que a terra não lhe assusta mais e que o mundo é pequeno para si, mas acreditar que o globo já é um bom início...


*Juliana Pestana