Tuesday, December 16, 2008


Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece.
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas.

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.
Tínhamos a idéia, você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia.

Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.

Não estou mais interessada no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que eu não tenho
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar.

Minha laranjeira verde, por que está tão prateada?
Foi da lua dessa noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo...


*Legião Urbana

Thursday, December 11, 2008



"Sempre pensei que optar fosse apenas escolher. Escolher entre dois objetos, duas pessoas, entre duas coisas de igual valor ou semelhantes. Mas a vida foi ensinando... Optar é antes de tudo renunciar, e quantas vezes essa renúncia fica doendo, pedindo, arrancando lágrimas, plantando saudades... Viver é optar. Optar sempre, renunciar a cada momento..."


*Pe. Roque Schneider

Saturday, December 06, 2008




Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.



*W.H. Auden

Thursday, December 04, 2008


Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pela coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor,
e na secura nossa
amar a água implícita,
e o beijo tácito,
e a sede infinita.


*Carlos Drummond de Andrade

Wednesday, December 03, 2008


Não tenho a mínima idéia
do que é amor
e, no entanto, indubitavelmente,
sei que amo você
pelo simples toque de sua mão,
não me debruço
no conceito amoroso
e percebo, nitidamente,
que amo você
nos avisos do corpo,
não adivinho razões
mas sei da plenitude
do som da sua voz
às vezes, tento uma explicação:
(e uma descoberta)
penso que fui programada
geneticamente
para amar você.



*Dora Vilela

Wednesday, November 26, 2008


Nunca consegui enumerar todas as coisas que eu gostava e as que você me fazia sentir. Primeiro, porque eram muitas. Segundo, porque algumas não tinham nome. Éramos extremamente felizes porque acreditávamos no amor, porque de início não víamos nada de empecilho, não víamos distancias, sejam de idades ou sejam de cidades, nós apenas vivíamos aquele presente que a vida parecia nos dar. E quando começaram surgir os planos, os sonhos, e fomos dando nomes para eles, a dar local e datas, e eu, então, parecendo um foguete a voar pelo céu de felicidade, vi você se afastando, medroso, inseguro. Mas que direito tinha eu de te fazer estar comigo todos os dias de amanhã? Que direito tinha eu de amarrar tuas mãos com a minhas? Não precisavas ter medo, tu não tinhas que arranjar uma forma de fazer tudo acontecer, tua única obrigação era me fazer sonhar.


*Cáh Morandi

Sunday, November 23, 2008




..."E é verdade que sempre gostei da chuva, que nesses dias resolveu me decepcionar e amendrontar. E é verdade que eu não desisto de você. E é verdade que te amo e minha pele suplica por teu toque."


Priscila Manhães

Saturday, November 22, 2008

"Só por hoje não quero mais te ver
Só por hoje não vou tomar minha dose de você
Cansei de chorar feridas que não se fecham, não se curam

E essa abstinência uma hora vai passar..."


*Pitty (Estante)


Friday, November 21, 2008



Procuro a porta com certeza aberta para fora dessa pele que me encerra e me condiciona a ser o que não quero. O que sou é mentira. Eu tenho poucas verdades. Uma delas é que amo você. Busco em bicos de pé, para não assanhar as aranhas da cortina que me separam do tempo ido. Não acordar os passados amortecidos porque eles fingem dormir mas estão somente em sonolência ligeira. O sofrido atrapalha o vindouro, ofusca o olhar e o que chega agora não deve ser nem alegre, nem triste, deve ser o novo apenas, para se escolher livremente sem as consultas às sombras. As saudades necessitam ser distraídas de seus assaltos impudentes, de suas mãos poderosas que apertam a garganta. Saudades têm um valor decisivo em questão nova. Na verdade, são como um peso morto que impõe sua presença insuportável no caminho limpo em que se intenta farejar trilhas. Não quero as saudades. Só quero você. A porta aberta continua lá no convite e eu me desembaraço dos lastros dos remorsos, dos volumes nos armários, dos grilhões de fitas coloridas. Esses fardos são como anzóis na minha carne, eu mesma ansiei por eles e os engoli um dia. Não os quero. Eles me separam de você. Só quero você. E a porta escancarada me chama para fora de mim, para uma região onde me verei a mim mesma. Com olhos de novidade. Meu novo é sempre você.



*Dora Vilela

Wednesday, November 19, 2008

Venha




Se por acaso for tarde

E sentires falta do meu cheiro...
do meu gosto...

E se mais do que desejo,
... for amor.

Então venha,

Que a noite é pequena,

E tão grande a solidão.





*Cáh Morandi



Tuesday, November 18, 2008




Quero:
- Tuas risadas contundentes
Confundidas às minhas.

E te amar...

Andar à beira-mar.
De saias longas e braços dados.
Em cores róseas, azuis, ou verde-oliva.

Não importa:
- Haiti, Atenas, ou lá...
Algures estejas,
Vou te encontrar...

Espero:
- Tua bússola me direcionar,
Teu mapa me levar,
Até onde tuas mãos possam
Se entrelaçar às minhas...

Miram-me:
Teus olhos castanhos
Por esta tela Azul angustiante
E me fazem suar...

Meus segredos,
Desejos,
Degredos...



*Nefertari (adaptado)

Monday, November 17, 2008

Yo necesito de ti



De tus manos en mi piel
De tus ojos en mi mirada
De tu voz en mi boca

Yo necesito de ti
De tus sueños en mis sueños
Y de tu realidad en mi vida

Yo necesito de ti como quien necesita del aire
Como el viento que trae a nosotros los secretos
Que preso a nuestra alma, se callan
Como un río que corre al océano
Y se entrega
y allá, se esparce
Es así que yo,
Siempre
Iré a necesitar de ti



*Lualil (Traduzir-se)


Thursday, November 13, 2008

Saturday, November 08, 2008


Se eu pudesse te explicar
A lógica da vida
Tudo, tudo vai passar
O bálsamo e a ferida
Se eu pudesse te dizer
O que agora eu sei
Um dia de pés no chão
No outro estou vestido de rei
Um dia de chuva
O outro de calor
Um dia bem quieto aqui
No outro é festa eu vou!

Vai passar
vida pra viver
Vai passar
deixa acontecer
Vai passar
Siga o coração
vai passar
Também essa canção

Se eu pudesse te falar
Tudo vai passar...



*Patricia Mellodi

Sunday, October 12, 2008

Soneto XI



Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pelo, e pelas ruas vou sem nutrir-me, calado, não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra, busco o som líquido de teus pés no dia.

Estou faminto de teu riso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas, quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado de tua beleza, o nariz soberano do arrogante rosto, quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo buscando-te, buscando teu coração ardente como um puma na solidão de Quitratúe.



*Pablo Neruda