Monday, September 11, 2006


"Meus líquidos infestam tua pele e minha carne treme entre teus dentes. Me salvo da asfixia com os goles de ar que saem da tua boca, sugados pelos meus lábios. Escrevo meu nome a saliva na tua barriga, incrusto meus fluidos entre teus dedos, sinto o cheiro do meu sexo na tua boca, ouço tuas palavras escaparem pelos meus lábios, perco meus cabelos em tuas mãos, encontro meu rosto sobre teu peito, me visto de delicadeza e loucura sob teu peso, preencho tuas frestas com a fome da tua inteireza, banhas meus pés com a tua língua, descubro meu prazer emaranhado na tua força, refazes o meu corpo com teus movimentos. Renasço em gozo repleta de ti."

Wednesday, September 06, 2006


"A fome das coisas incertas a que me remete tua voz, fome imprecisa e ambulante que ora tenho nas mãos, ora tenho nos olhos, ora pede-me asas, ora crava raízes no chão. A fome vaga do cheiro dos teus cabelos, a fome oca do teu abraço longínquo, essa fome voraz que devoraria o ar que respiras, a fome triste dos lugares vazios que ocupaste. Fome de dias invividos, fome de antes, fome de quando, fome dos seus guardados embaixo da cama."

*Ticcia

Monday, September 04, 2006


Retrato em Branco e Preto




Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cor
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto, evito tanto
E que no entanto volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo feito um tolo,
Procurar o desconsolo
Que eu cansei de conhecer
Novos dias tristes,
Noites claras, versos, cartas
Minha cara, ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração

*Tom Jobim e Chico Buarque



Friday, September 01, 2006

Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.



Talvez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.

*Neruda

Wednesday, August 30, 2006

Metade Ideal



Amei-te porque em ti, minha impetuosidade encontrou refreio
Porque tua doçura retemperou a intrepidez dos meus anseios
E tua serenidade mesclou de paz meu turbilhão.
(...)

Amei o encanto da tua fala, a magia do teu sorriso
Amei o teu retrato, a tua prudência e até a tua timidez
Amei o teu jeito único
E mil vezes eu te amaria outra vez.

Humana, também amei o invólucro que aninha teu ser
E assim, amei teu corpo, teus olhos, teu cheiro
Amei em ti o que não morre, e o que em ti, há de perecer.

Já não questiono se tua ausência é um bem ou um mal
Apenas submeto-me passiva, ao traçado do meu destino
Que aparta-me de ti e me priva da minha METADE IDEAL.


*Fátima Irene

Thursday, August 24, 2006

O meu coração está no meio da ponte
e tem o tamanho de uma violeta por arrancar.
É vagalume no casulo das tuas mãos,
que trinca as horas e assusta o tempo.
É janela para a calçada em pedra,

que te acaricia o pé esquerdo
e dá passagem às amendoeiras
que te crescem nos olhos.
É poesia que bate no teu peito,
é coroa trifásica de flor em punho,
que se descasca e mergulha no mar
à espera de – no fundo – te encontrar
.



Wednesday, August 23, 2006


"Estendeu a mão. Tocou o peito. Cheirou a carne. Sentiu o calor. Ele acariciou-lhe as costas. A mão aberta. Atenta. Alerta. Beijou o cabelo. Prendeu-o na boca. A cada carícia se abriam. A cada carícia se fechavam um no outro. Os gestos eram laços e um no outro se prendiam. E a ternura era sólida. O amor era ternura. O desejo era fome. A fome estava nos gestos. E os gestos eram ternura. Na boca um do outro disseram do amor. No corpo um do outro disseram desejo.E a ternura era fogo. Os corpos uniram-se. O suor de um confundiu-se com o suor do outro. E a ternura era líquida. E um no outro a beberam, e um no outro se saciaram. E um no outro se guardaram. Tão juntos que eram uma linha.
Tão juntos que eram um.
A ternura era corpo.
E o corpo era um"




Tuesday, August 22, 2006

Queria estar ao teu lado
agora e apertar bem forte
o teu corpo contra o meu…
O meu corpo preso no teu…
Os nossos corpos fundidos…
Os nossos corpos unidos…
Corpos que se juntam
à procura do prazer.
Corpos que se olham
e que se molham…




Queria ser dona dessa cena
de prazer explicito, inventar
uma posição nova para a teia
do poema que cresce no meio
do desejo de te ter colado a mim.
Queria abafar o teu grito
de prazer com o meu e esconder a tua boca na minha…
A minha boca presa à tua…
O nascer de um beijo
nos lábios que se comem…
Lábios que se encostam
e que se molham…
Queria encenar esta cena
contigo, no meu quarto
habitado por frases poéticas.
Queria ver as tuas forças
dissiparem-se à medida
que o teu prazer aumenta…
Que o meu prazer aumenta…
Que o nosso prazer acaba…
Ver o meu prazer, que aumenta
quando o poema acaba…
Quando acabo um poema."



Monday, August 21, 2006


Que vaga rima me permite agora
desenhar-te de rosto e corpo inteiro
se só na tua pele é verdadeiro
o lume que na língua se demora...

*Antonio Alexandre



Tuesday, August 15, 2006

Plena mulher, maçã carnal, lua quente...
que escura claridade se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ares sufocados e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos
e dois corpos por apenas um mel derrotado.
Beijo o teu beijo e recorro ao teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povos pequenos,
e ao fogo genital transformado em tua delicia.
Corre pelos pálidos caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão um raio na sombra.

*Pablo Neruda

Sunday, August 06, 2006

Divina & Profana




I

ardente
como pecado capital
grita em meu corpo
a louca vontade
de roubar os teus sonhos

e tatuar em teu corpo
meus desejos divinos


II

invado tua razão
e escrevo em tua crença:

o paraíso é logo aqui
onde começa
o meu cio


III

nem puta
nem santa

só dilacerada
pelo desejo de ser boca
na redenção de tua carne



Friday, August 04, 2006

...Tanto que te pienso no te hara mirar, hoy me veo tanperdida por estar tan lejos...




...Lejos de tu amor, lejos de tu corazon, lejos de tu amor y sinsalida, mire ...
Lejos de tu amor, lejos de tu corazon, lejos de tu amor y sinsalida, vuelve...







Eu acreditei
No teu amor, no teu querer, nos teus sinais
Na dor do teu olhar com medo de não me ver mais
Mas entendi que nos dois somos pontos cardeais
Ligados por um fio imaginário
Mas sempre distantes demais

Eu então me perguntei
Até onde posso suportar?
Até onde quero e me permito violentar?
Pois te amar tanto assim lhe convém
Mas me sangra tão bem

Você parece estar à sombra de uma arvore
Enquanto eu saio pra lutar ao sol
Você parece repousar
Num transatlântico de luxo
Enquanto minhas mãos
Fazem bolhas de tanto remar
Então por que já não me diz adeus
Pra eu parar de cantar...

*Isabella Taviani



Wednesday, August 02, 2006



Deixar a fome envenenar-me...

Pela minha gula...

Por teu sexo...



Tuesday, August 01, 2006

"Não que ela não guardasse na boca a vontade sedenta. Não. Ele, entretanto, não lhe roubava. Não lhe obrigava. Deixava-se roçar apenas. Um roçar leve de faces e bocas que não se poderia chamar de beijo. Ante-sala, talvez. (...) Nada aconteceria. Só as ameaças. (...) O quase-beijo, o quase-desejo, a quase-carícia. Depois seguiam conversando sobre as coisas triviais da vida de cada um. (...) Silêncios de êxtase. Até que a sede em gritos calou os líquidos das bocas. Ela conferiu-lhe os lábios entre os dentes. Bons. Ele experimentou-a na ponta da língua. Arrepio. Somente quando a palma da mão suave acariciou-lhe a face, ela teve medo. Colocou selo no beijo. Sorriu confusa e continuou de algum ponto a conversa sobre as coisas triviais da vida. Melhor não aprofundar. Nem a conversa. Nem a língua (?)."

*Ane Aguirre