
"Bebo o mar com os olhos
Bebo tudo com os sonhos
e nos vinhos meus demônios"
"Passeando pela vida ao lado da tranqüilidade. Espalhando sorrisos como grãos de areia. Sentindo a calmaria do mar na Alma. Derramando saudade, esperando por palavras doces. No meio de olhares despidos, olhares despretensiosos. Construindo sonhos em meio a promessas silenciosas. Amanhecendo, entardecendo e anoitecendo simplesmente. Fechar os olhos e ter aos pés margaridas e pertencer a um sentimento que permanece em um outro tempo que começa aqui agora."



Minha mão sobre a tua boca e peço que não digas nada. Um beijo manso e outro e tua língua desliza entre falanges, teus lábios sugam dedos, tua saliva umedece a pele e os dentes beliscam as pontas e se despem em um sorriso ao som do meu gemido. Meu corpo se resume à extremidade que se entrega, que se oferece, que convida, tua boca que explora linhas, dobras, carnes, lambe unhas, percorre frestas e sinto o ar de tuas narinas contra a pele úmida, um animal faminto se esfrega no teu rosto e pede que o sacies. Mesmo que agora eu permitisse, já não teríamos mais o que dizer.


Quero que me peças. Pede-me algo, exige-me alguma coisa, ordena tua vontade, impõe o teu desejo, me diz o que fazer. Não age à margem aparente do que se passa esperando que as tuas mãos fiquem limpas, não pensa que sem que eu ouça teu pedido, faço o que tenho vontade alheia ao rumo que tomaste. Não faço. Tu sabes do lugar que me ofereces, sabes do que me dás de beber, sabes das rosas e dos espinhos que trouxeste na boca. Dá-me o conforto de ouvir-te pedir o beijo, da tua mão sobre o que de mim for feito, dá-me o olhar e as palavras sangrando que me pedem tua, suporta comigo o risco do sem nome, do imperfeito, do fio da navalha, da corda bamba. Não espera que eu pouse minha mão no teu peito e ela se faça tua, pede que meus olhos se fechem com o teu sonho.
*Ticcia

Descobre-me!
