Thursday, April 13, 2006

Sorrir e corar com palavras doces, pintadas à mão.
Sentir a tua ausência como o sacrifício que vale a pena.
Acontecer-me o amor como à fruta que amadurece no cesto.
Ultrapassar barreiras do toque, dos beijos e da solidão.
Viajar nos teus sonhos e debruçar-me à janela dos meus.
Ouvir a tua voz e entorpecer-me de paixão.
Ter na pele um carinho descontroladamente constante.

Estou apaixonada e à tua espera.







"Amar-te é adormecer com um alçapão aberto nos olhos
para que entres em mim enquanto sonho."


Se eu fosse poeta...

...eu te diria com palavras doces o que vai dentro de mim... falaria dos meus sonhos-desejos dos meus segredos e seria sim como uma fonte que nasce nos rochedos e, de repente, mina a sede sem fim... assim poderia aguar teu corpo-suado depois de trabalhar, quando em casa tão cansado precisasse do meu zelo, meus afagos... deitaria tua cabeça no meu colo e meus dedos entre os cabelos sentirias e dormirias o sono dos bem-aventurados... esperaria o acordar e em tua boca um beijo suave como a luz vinda de fora eu te daria, antes de teres que ir embora... diria que amar não é pecado e somos tolos em esperar e confessarmos aos quatro cantos nosso amor-iluminado (...seria capaz de pedir fique por hora)... e faria amor com tal ternura e encantamento e tu quererias mais e mais e mais e tanto que, como encanto, do meu corpo não mais desgrudarias.


*Cida Piussi

Tuesday, April 11, 2006

"Adoro a tua presença,
seja ela como for
O teu coraçao de menino, homem e sonhador
Que deixas comigo
quando tens que ir
Para além do equador

Das músicas que juntos ouvimos
E dos nossos sorrisos e lágrimas
Da nossa amizade
que sabe a fruta madura
E que seja assim
ou do jeito que for
Que se espalhe nos mares
Nos vales e pelas montanhas
E que nos pinte de qualquer cor
Em várias nuances e tons

Que o eco desta nossa canção
Espalhe o vento em notas musicais
Que seja paixão ou que seja lá o que for
O que deixas comigo quando tens que ir
Para além do equador"























Talvez eu não soubesse ao certo
O que me fazias sentir

Queria poder ver de perto teu rosto, as tuas expressões
Teus olhos vivos, claros
Teu sorriso livre, aberto

E em algumas noites quando a ausência de ti doe-me a alma
Revisito nossos momentos,
Refaço nossos caminhos
E a tua voz baixinha balbucia ao meu ouvido
O meu nome, o teu desejo de mim
Meu corpo estremece e outra vez encontra o teu
E minhas mãos desenham o contorno de ti

Mesmo sem teus olhos, vivos, claros,
Sem tua boca doce, sei que estás aqui

Talvez eu não soubesse ao certo
O que me fazias sentir
Agora sei.



Sunday, April 09, 2006


















Esta loucura que habita dentro de mim.
Transtornando meus sonhos em pedaços .
Me torna cada vez mais inconsciente.
Nesta loucura ,
Meus prazeres, desvanecem
No suave calor desta divina volúpia.
Os nervos me dominam.
Enquanto meu coração desfalece
numa promessa de amor.
Minha paixão ponho em clausura.
Meus medos se esvaziam
dominando o espaço.
Este prazer que esbarra,
todo tempo em lembrar.
Afunda neste meu delírio
Onde a solidão...
Retorna pela janela.


*Roza Cruz


Tua voz é uma indecência só. Indecente, incandescente, fosforescente. É sempre um quase sussurro, gemido abafado, sempre em segredo. Tuas frases alternam luz e sombra, entre consoantes, vogais e o ar denso entrecortando as palavras. Tua inspiração faz parte do que queres dizer e é sempre como um sopro em minha nuca molhada, depois de uma lambida. Tua voz soa meia luz, canta em meio tom e serpenteia entre dentes, sibilante, rastejante, subrepticiamente, vibrando víbora nas curvas da minha orelha, tocando aflita o lóbulo com sua língua ambígua e ela toda então desliza grossa, lisa, úmida de saliva, deflorando o ouvido.

*Ticcia

nalgum lugar em que eu nunca estive,
alegremente além de qualquer experiência,
teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,
nalgum lugar me abres sempre pétala por pétala
como a Primavera abre (tocando sutilmente, misteriosamente)
a sua primeira rosa (...)

*Nalgum Lugar E. E. Cummings (tradução: Augusto de Campos)




Há em ti o mistério do começo de todas as coisas, a beleza do que se cria e se imagina por primeiro, se inaugura, do nunca antes, da primeira vez e isso me pega desprevenida, chuva torrencial que despenca do céu no meio da tarde em plena primavera e traz consigo o gosto das estrelas nascidas na noite anterior. Minha cidade foi tomada de surpresa.
*Ticcia

Saturday, April 08, 2006





















"Desejo ser tua, inteiramente sua
Debaixo do sol ou da lua
Se eu olhar nos teus olhos consigo dizer
Com poucas palavras te descrever
Desejo você assim mesmo, intransponível
Te sentir da forma mais sensível
Quero te desvendar, descobrir em você
Até onde vai sua capacidade de amar
E então abro os meus olhos
Voltei à realidade, você em meus pensamentos
Só é uma vontade
Domina meus pensamentos
Atiça minha imaginação
E se atingir meu coração?
Quem é você?
Que me invade e me enche de saudades?"





Wednesday, April 05, 2006

"Quem é esse homem
surgido das profundezas do nada
envolto por misteriosa e cintilante névoa

Quem é esse homem
a me fazer docemente cativa,
que se apoderou dos meus sonhos e fantasias
Quem é esse homem
a dedilhar meu corpo com maestria,
que o transformou no instrumento de seu prazer
Quem é esse homem
a invadir a maciez do meu ventre
com incontida gula, que geme, suga e acaricia
Quem é esse homem
com afagos a me dominar,
que me enlouquece, na presença e na ausência
Quem é esse homem
a me falar palavras obscenas, apaixonadas,
transgressoras, ardentes
Quem é esse homem
a embriagar-se deliciosamente de mim,
que bebe sofregamente o néctar de meus seios
entorpecido pelo desejo latente
Quem é esse homem
a me envolver e hipnotizar com seu olhar,
que me tornou presa de seu fascínio,
objeto de seu insaciável e enlouquecido querer
Quem é esse homem
sem face, sem nome, sem origem e sem pudor
a me algemar no seu corpo em chamas
Quem é esse homem
que com seu sorriso felinamente travesso
me faz arder de paixão em suas mãos
Preciso saber quem é meu sedutor algoz
preciso saber até quando viverei prisioneira
dessa mágica e deliciosa atração...
Ainda não sabe?

Esse homem é

você!"

Tuesday, April 04, 2006

O que me resta é a pele marcada
Por tuas mãos impressas em fogo,
Decalcadas em minhas pernas,
Tatuadas em meu rosto,
A deixar exposto
O meu pecado.

O que me resta são as frases
Que nem sabes que disseste,
A ressoarem gravadas e repetidas
Em meus ouvidos
Como ecos de noites infindas.

O que me resta é meu ventre vazio
Que um dia visitaste
E a dor de não ter te eternizado
Em minha carne,
Que espera ainda a vida que não me deste.



O que me resta são meus olhos,
Sujos de teus espectros,
A turvar e manchar tudo o que me cerca
E a confundir meus caminhos.

O que me resta é minha boca
Triste de tua língua ausente,
Para sempre povoada por tua saliva.
O que me resta são meus seios
Mornos de teus carinhos,
Carentes de tua boca,
Eternamente marcados pelos teus dentes.

O que me resta são meus gestos
Encenados para o teu deleite,
Viciados em teus olhares,
Irremediavelmente alheios ao meu controle.

O que me resta é um recordar incessante
Um esperar eterno,
Suspensa no ar,
Entre um céu improvável e
Um possível inferno,
Até que tudo se espalhe e cale,
Até que tudo se esvaia e que eu te deixe só,
Até que eu tenha bebido tudo de nós.

(PAF/2002)

Monday, April 03, 2006

"...E non si può
Chiudere gli occhi e far finta di niente
Come fai tu quando resti con me
E non trovi il coraggio di dirmi che cosa c'è
Sarà dentro di me come una notte
D'inverno perché
Sarà da oggi in poi senza di te

Se ami sai quando tutto finisce
Se ami sai come un brivido triste
Come in un film dalle scene già viste
Che se ne va, oh no!
Sai bene quando inizia il dolore
E arriva la fine più una storia d'amore
Ma se ami prendi le mie mani
Perché prima di domani
Te ne andrai, non sarai
Qui con me..."



Sunday, April 02, 2006

Toca-me com as tuas mãos.


Faz-me desaparecer com
a tua pele.


Sufoca-me na tua língua.


Arrasta-me pelo ar com

o teu perfume.

Mata-me de vez.









"Negue seu amor e o seu carinho
Diga que você já me esqueceu
Pise machucando com jeitinho
Este coração que ainda é seu
Diga que meu pranto é covardia
Mas não se esqueça
Que você foi meu um dia
Diga que já não me quer
Negue que me pertenceu
Que eu mostro a boca molhada
Ainda marcada pelo beijo seu"...






Saturday, April 01, 2006

"Por ti
morro a cada dia
de uma carência erótica
de uma boca aberta
sem beijá-lo
de uns olhos abertos
sem vê-lo
de umas pernas abertas
sem recebê-lo
Pelas fendas de meu corpo
pelas frestas das minhas defesas
te espero
numa carência erótica
que "só" se satisfaz em ti
nas fendas do seu corpo
na sua boca aberta
no seu olhar voraz
no seu sexo
a me invadir o corpo
a me inventar a alma."