Monday, March 13, 2006

Aos que comungam do meu corpo, o prazer da minha carne, meus suspiros embevecidos, meus grunhidos, minhas unhas, meus gemidos, minhas taras, meu gozo, meu suor, um pouco de saliva e seu gosto impresso em minha língua enquanto dura a lambida. A eles, sorriso asséptico, bom dia, como vai.

Ao que comunga da minha alma, tudo isso e sua tradução, todos os instantes do peito, inspiração, fagocitose, ressurreição por overdose, minha mão em fim de tarde, meu colo para deitar, poemas escritos sobre a pele, minha comida, minha cama, minha casa e tudo para lembrar. A ele, olhar guardado entre sedas e esmeraldas, silêncio que me explica.

*Ticcia

Sunday, March 12, 2006

Faça-me tua...




Vou deixar meu quarto aberto,
a cama desforrada,
no ar um cheiro amadeirado,
Entre!
Espero-te de braços abertos.
Na face, um sorriso de menina travessa,
no olhar, um jeito de mulher safada,
no corpo, um desejo de mulher devassa.

Feche a porta!
Abraça-me!
Seduza-me...
Fique comigo, não só por um gozo.
Penetre-me, não apenas as fendas,
mas também o coração.
Faça-me tua, nua, crua, vadia,
envolta nos lençóis em desalinho,
Deixe suas marcas em meu corpo,
Seu suor em minha pele,
nossos cheiros misturados.

Quero ser seu vício, seu pecado
Perder-me em teus desejos,
sorrir, gozar, amar...
Faça-me tua mulher,
feliz, saciada...
Adormeça em meus braços,
fica comigo.
Perca a chave da porta!

*Monica Amelia



Saturday, March 11, 2006




Rubras faces
Rubros lábios molhados
Caio de joelhos
cai a fina camisola perfumada
Inebriante mais que o melhor néctar e sem mais...

Te seduzo!

Abuso,
Lambuzo tudo
com meu arfar
molhado com leite e mel romano
com palavras e defeitos.
Mundano,
Humano...

Te seduzo!

Com carinho.
Delicada porcelana.
te envolvo e te engano.
Há malícia no ar.
A vontade inundando tudo a nós...
mas ainda não!

Te seduzo!

Seus olhos já não estão em mim.
Estão fechados, advinhando meus toques.
Suas mãos suadas
Me conduzindo...
... aprendo seu corpo.

Te seduzo!

Cada pêlo
cada poro,
cada milímetro quadrado
dessa tez morena
implorará por mim
E de repente afundo

Reparo, então
que no fim do fundo
não mais seduzo...
Seduzido me confundo,
com você.

*Cláudio de F. Barbosa



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Diz



Diz que me ama
me joga na cama
me cobre de cheiros
vem sentir o meu gosto
que se perde em teu corpo e nos travesseiros...

Diz que me quer
para num ato insano
ser tua mulher
sente o calor
que vem de um momento
de muito amor...

Diz que este fogo
que te deixa louco
não vais esquecer
depois do silêncio
somente em teus braços
irei me perder...

Diz que errei
ao tentar traduzir
momento tão lindo
tenta falar
mesmo sem querer
me olhas sorrindo...

Diz o que quer
faça teu canto
sonhe calado
mas fique ao meu lado
perdido em ti
em meu corpo molhado...

Diz que agora
seremos nós dois
com a chuva lá fora
nos aguardando para o depois...

Vem minha Gota
me toma por inteira
vamos repetir tudo no chuveiro


*F. M.


Friday, March 10, 2006




"Um dia tirei do fundo das gavetas lembranças que não uso e que não quero mais!

Peguei nas palavras de raiva e de dor que estavam na prateleira de cima da estante, e atirei-as fora!

Recolhi com carinho o amor encontrado, dobrei direitinho os desejos, coloquei perfume na esperança, passei um paninho na prateleira das minhas metas, deixei-as à mostra, para não as perder de vista.

Coloquei nas prateleiras de baixo algumas lembranças da infância, na gaveta de cima as da minha juventude e, pendurado bem à minha frente, coloquei a minha capacidade de amar e, principalmente, de recomeçar..."
.























Não demora agora
Há tanto pra gente conversar
Eu desejo e vejo, a rua você atravessar

Os teus passos largos já não me incomodam
Não te acompanho mais, caminho do meu modo
Teus olhos turvos pouco sinceros
Não me atormentam quanto mais eu enxergo

Eu e você, podia ser
Mas o vento mudou a direção
Eu e você e essa canção
Pra dizer adeus ao nosso,
Ao nosso coração

Tá na minha frente
Não se perturbe verdade é pra falar
Sei que vai morrer um pouco
Mas ainda há tanto pra lembrar
O teu sorriso lindo, indefinido
Suas mãos tão quentes atravessando o meu vestido

Palavras que falávamos simultaneamente
No meu ouvido o teu discurso indecente

Eu e você, podia ser
Mas o vento mudou a direção
Eu e você e essa canção
Pra dizer adeus ao nosso ...

Às vezes o amor
Escorre como areia entre os dedos
Não tem explicação para tantos erros
É melhor partir
Antes do último grão
Cair...

Eu e você, podia ser
Mas o vento mudou a direção
Eu e você e essa canção
Pra dizer adeus ao nosso, ao nosso coração...

*Isabella Taviani

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Wednesday, March 08, 2006



Estou mais atrevida
Mordaz e ferina
Estou cheia de vida
Sagaz e ladina
Já não sou mais a mesma
Respiro outros ares
Navego outros mares
São tantos olhares
Convites, sorrisos
Eu gosto eu preciso
Pois é...
Que ficou impossível não ver
Mudei de você
Por isso me esqueça
Virei a cabeça
Nas noites mal dormidas
Rezava seu nome
Olhava na janela
Chorava seu nome
Mexia em sua roupa
Gemia seu nome
Morria de sede
Subia as paredes
Me amava sozinha
Você não me vinha

Pois é....
Que ficou impossível não ver
Mudei de você
Já não me inicia
Já não me arrepia
Estou mais atrevida
Tô cheia de vida
Você não me provoca
Nem quando me toca
Agora eu tenho
É fome de homem
Que seja feliz

*Isabella Taviani

Tuesday, March 07, 2006

Vem pra misturar juízo e carnaval
Huu, vem trair a solidão
Vem pra separar o lado bom do mal
E acalmar meu coração






Vem pra me tirar o escuro e a sensação
de que o inferno é por aqui
Vem pra se arrumar na minha confusão
Vem querendo ser feliz

*Maria Rita

Monday, March 06, 2006

Sexo virtual



"Como que se possível fosse...
Como se possível é
Assim te deixar louco
Rouco de desejos
Beijos.
Se a imaginação não existisse...
O coração não sentiria
O pulso não pulsaria
E os dedos, ávidos de desejos
Delineasse as curvas,
Os gestos, no teclado
Noite a dentro.
Vadios de nós...
Nos lençóis virtuais
Amar o não visto
Dos gemidos dados
Ouvidos ao longe
Oceanos a dentro.
E nós, desse jeito...
Sem jeito algum
Procurando um jeito de
Se conquistar
Conquistar-se.
E nós reinventando a roda...
Nos beijos, desejos,
Vontades sem fim.
Como que se fosse possível
Matar todas as sedes
Desse nosso sentir.
Sexo Virtual?
Onde? "



Sunday, March 05, 2006


Vem destapar-me o corpo, escorregar na minha boca
e encher-me de sussuros, fôlegos e toldos de luz.
Vem passear-te pelos meus vales,
sem fuligem nos olhos
nem equívocos nos lábios.
Deixa que a alma transborde da carne.
Vem.
Para sermos paixão enroscada.

*Carla Ferreira Pedro



Saturday, March 04, 2006

Vejo-te, a cada instante, como se estivesses aqui. Abraço-te, e sinto o teu corpo, colado ao meu. Desenho-te, sobre a tela branca, contornos de um corpo que sinto com a ponta dos dedos. O meu corpo incandescente, aquece o teu, gelado, derretendo-te os sentidos. Num instante, a escuridão da noite ganha luz própria e sinto-te sobre o meu corpo. Falas-me ao ouvido enquanto eu percorro com a palma das minhas mãos a tua pele. Hoje, nesta noite fria, o gelo é queimado pelo desejo de nos amarmos, os corpos, desejam-se e as almas abraçam-se, as nossas bocas colam-se em pequenos beijos, em doces trocas de línguas. As roupas que ainda nos cobriam vão aos poucos deixando-nos e sinto-te chegar, entras em mim, o meu corpo estremece quando te recebe, lentamente, deixando-se escorregar por mim. As minhas unhas cravam-se com força sobre as tuas costas, a tua boca chama-me, e eu respondo-lhe com a ondulação suave do meu corpo, procurando-te o prazer, que sentes. O êxtase final aproxima-se quando os corpos, colados, molhados, sentem os músculos sobre tensão, quando as almas se libertam dos corpos, por um breve instante e se vão aninhar nos braços do ser amado. Beijas os meus lábios docemente, a tua saliva em erupção é alimento que devoro, a tua língua, que se adentra em mim, oferece-me os segredos nunca revelados... O meu corpo, perdido sobre o teu, em espasmos de prazer, sente-se inundado pela seiva quente que me entregas, como se de um alimento se tratasse. Sinto o peso do teu corpo, subitamente sobre o meu, como se tivesses acabado de cair do céu, como se um anjo se tivesse precipitado sobre mim.

*Alfa69 (adaptado)





















"Atar o cabelo com fitas vermelhas e pintar uma raiz nos meus olhos.
Respirar uma boca, acender-lhe o peito e unir os laços.
Oferecer uma via láctea, encostar a porta e dormir aninhada.
Explodir todos os dias como um eco numa só voz.
Encostar a cabeça num ombro onde apenas eu me encaixo.
Nunca deixar de sonhar.
Pintar alegrias no sangue onde correr."



Thursday, March 02, 2006

"Com um gosto de nunca mais na boca, embebeu um morango em leite condensado, ligando os poros da fruta às comissuras de seus lábios, perfumando os caminhos de seu hálito com gosto escarlate de primavera. Reviveu sua quimera, essas raízes grandes de um baobá, que fundo se agarram a suas pernas, seus olhos folhas grandes de uma vitória-régia, flutuando num rio de lágrimas tão grandes que salgam a tudo com gosto de mar. Segura forte nas mãos da doce miséria, sentimento mascarado de centopéia, inúmeros pés para melhor disparar, mas se lembra que onde existem inúmeras pernas acompanham infinitos braços, mil tipos diferentes de abraços, dos amigos um laço que não lhe cabe desatar. Pois do ar do choro salgado sopra um mormaço, vento quente perolado, que das ostras mais firmes se criam jóias de areia, que dos desertos da solidão vicejam como estrelas nas noites sem luar. Que do espaço sideral essas estrelas gorgeiam, como pássaros criando ninhos de folhas secas e do barro molhado da terra de seu pomar. Percebe que o universo só mostra o que a gente quer mostrar. Que ele não conspira, que não respira se a gente não sabe respirar. Então ela respira, leite condensado na língua e azedo da polpa que ativa. O agridoce. É o que lhe coube hoje. Amanhã, quem saberá."

*Adolfo Colen

Wednesday, March 01, 2006

As saudades do que não vivi não me causam dor.
Habita meu peito o desejo do novo, do perfume não aspirado.
A esquina deixada para trás, empoeirada, erma, faz parte de uma moldura envelhecida.
Sonho com cachoeiras e corredeiras por onde meu coração possa se aventurar.
As águas congelantes batem no meu rosto com uma nova mensagem.
E desejo, e passeio, e retorno aos sentidos animais de mim mesma.
As viagens para dentro de mim não doem mais.

E posso subir, descer, embrenhar, correr, com passos doces, com palavras rudes.
Ninguém sairá ferido, eu não machucarei aqueles que colhem meus espinhos.

Pois hoje escorre mel pelos cantos do meu sorriso.
E nascem flores sob meus passos.

Nas águas de fevereiro, afoguei o meu passado.
As cachoeiras agora têm um pouco de mim.
São portadoras da minha dor, as levam para bem longe.
Mandei pelas corredeiras as lágrimas opressoras dos meus sorrisos.
Escondi sob cada pedra do caminho, um pouco do sofrimento aflito.
Aprendi: - com um grito, a vida muda.
Enterrei nos portais energéticos e imaginários tudo o que eu não mais queria.

Rompi com o passado.
Decidi.
Hoje sou uma nova rainha.
De cabeça erguida e novas perspectivas.
Estou de volta.

A Casa reabro.
Mas do passado, não trago nem a lembrança.


*Nefertari, adaptado.

"Amor febril, amor viril, amor adolescente, amor impuro e de luxo, amor ardente, amor correspondido, amor fingido ou verdadeiro.

Amor intermitente, amor doente, amor primeiro.
Amor sem pretensão, amor paixão que chega de repente, que mata e se destrói, que arrasa que corrói e acaba simplesmente.

Amor que se entrega, amor que cega, a
mor que embriaga, que vem feito tufão e abrindo o coração se espalha feito praga.

Amor desesperado, amor mascado, amor proibido, amor desilusão, amor em vão, amor interesseiro, amor traiçoeiro.

Amor que não se vende.
Amor que não tem fim.

Só quem amou assim me compreende.
"
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